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Imagens mostram síndico atacando corretora em subsolo de prédio em GO

O caso que mobilizou moradores de Caldas Novas e ganhou repercussão nacional teve novos desdobramentos após a divulgação de um vídeo decisivo pela Polícia Civil de Goiás. As imagens, gravadas pela própria corretora Daiane Alves Souza, mostram o momento em que ela desce ao subsolo do prédio onde morava para verificar uma queda de energia. Instantes depois, a gravação registra a aproximação do síndico Cléber Rosa de Oliveira, que aparece usando luvas e com o rosto parcialmente encoberto. O material foi apresentado em coletiva nesta quinta-feira (19) e é considerado peça-chave para a conclusão do inquérito.

Segundo a investigação conduzida pela Polícia Civil de Goiás, Daiane enviava vídeos a uma amiga relatando problemas no fornecimento de energia no edifício. No entanto, o registro que mostra o momento da abordagem não chegou a ser encaminhado. O celular da vítima foi encontrado 41 dias depois dentro de uma caixa de esgoto do prédio, após perícia detalhada. De acordo com os investigadores, o próprio síndico indicou o local onde o aparelho estava escondido, o que permitiu a recuperação do conteúdo e o avanço das apurações.

Durante a coletiva, o delegado João Paulo Mendes afirmou que as imagens reforçam a tese de que houve planejamento prévio. No vídeo, é possível observar que o suspeito já se encontrava no subsolo antes da chegada da corretora, utilizando luvas nas duas mãos e mantendo o carro estacionado nas proximidades com a capota aberta. Em determinado momento, ele se aproxima por trás e tenta ocultar o rosto. A gravação é interrompida abruptamente. Para a polícia, a sequência demonstra que a ação não ocorreu de maneira improvisada.

Cléber confessou o crime às autoridades e permanece preso. Em nota, a defesa informou que ainda não teve acesso integral aos documentos recentemente anexados ao processo, especialmente ao relatório final, e que só irá se manifestar após análise completa do material. O filho do síndico, Maicon Douglas de Oliveira, chegou a ser detido sob suspeita de ajudar na ocultação do corpo, mas a polícia concluiu que ele não teve participação direta no crime. A defesa dele foi procurada e ainda não se pronunciou oficialmente.

Daiane ficou desaparecida por mais de 40 dias, período que gerou forte comoção entre familiares, amigos e moradores da cidade. Natural de Uberlândia (MG), ela vivia em Caldas Novas há cerca de dois anos, onde administrava locações de imóveis da família. Desde o início, a hipótese de desaparecimento voluntário foi descartada, já que a corretora saiu de casa com roupas casuais e deixou pertences para trás. As últimas imagens registradas por câmeras de segurança e os vídeos enviados à amiga serviram como base para reconstruir seus passos.

O corpo da corretora foi localizado a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, em uma área de mata. A polícia concluiu que o crime não ocorreu no subsolo do prédio, como inicialmente alegado pelo síndico, mas em outro ponto da cidade. Laudos periciais indicaram que Daiane foi atingida por dois disparos na cabeça. A arma utilizada, segundo a investigação, seria uma pistola calibre .380. Imagens de câmeras de segurança mostraram o veículo do suspeito saindo do condomínio com a capota aberta e retornando posteriormente fechada, o que levantou suspeitas sobre o transporte do corpo.

Com a conclusão do inquérito, Cléber deverá responder por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A divulgação do vídeo recuperado do celular foi considerada determinante para esclarecer a dinâmica dos fatos e reforçar a linha investigativa. O caso, que por semanas permaneceu cercado de incertezas, agora caminha para a fase judicial. Enquanto isso, familiares e amigos de Daiane aguardam que a Justiça avance, na expectativa de que todos os detalhes sejam plenamente esclarecidos e que o desfecho traga respostas definitivas a uma tragédia que marcou a cidade.

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