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Lula cita “bandidos” por trás de alta nos combustíveis e cobra governadores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a se posicionar sobre a alta nos preços dos combustíveis nesta quinta-feira (19/3) em São Paulo. Durante agenda na zona norte da cidade, o presidente criticou aumentos abusivos em diesel, álcool e gasolina, associando o problema não apenas à guerra no Irã, mas também a estratégias de lucro de alguns setores.

“Não aumentou apenas o preço do diesel, aumentou o do álcool, que não tem nada a ver com a guerra do Irã, aumentou o da gasolina que ainda não tinha porque aumentar. Significa que nesse país tem bandido que quer ganhar dinheiro até com a fome dos pobres, até com a miséria dos outros”, disse Lula. O presidente destacou que o governo intensificou a fiscalização para coibir aumentos injustificados, envolvendo órgãos como Polícia Federal, Receita Federal e Procons.

Segundo o presidente, a prioridade é proteger trabalhadores e caminhoneiros, evitando que o impacto internacional da guerra seja transferido para o bolso da população. “Não é necessário aumentar nas bombas do trabalhador. Não é possível transferir para o caminhoneiro o preço da guerra do Irã”, afirmou.

Em paralelo, o governo solicitou aos estados que zerem temporariamente o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para importação do diesel. A União se compromete a bancar metade da renúncia fiscal, estimada em R$ 3 bilhões por mês, numa tentativa de conter a pressão sobre o preço final do combustível e, consequentemente, nos produtos de consumo diário da população. Lula destacou que a medida busca “evitar que essa guerra do Irã chegue ao prato do feijão com arroz do povo brasileiro”.

A proposta foi discutida no dia anterior, durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), apresentada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, que será o novo ministro no lugar de Fernando Haddad, que confirmou sua saída nesta quinta.

A preocupação do governo vai além do preço na bomba. A alta nos combustíveis tem gerado tensão com os caminhoneiros, que ameaçam uma paralisação devido ao aumento de custos e ao descumprimento, por algumas empresas, do piso mínimo do frete estabelecido pelo governo federal. Para evitar conflitos, a gestão Lula reforçou que vai endurecer a fiscalização sobre empresas que descumprirem as regras do transporte rodoviário.

Recentemente, o governo federal já anunciou medidas para reduzir o impacto da alta de preços, como a isenção temporária das alíquotas do PIS e Cofins sobre o diesel. Agora, com o pedido para que os estados zerem o ICMS, a expectativa é de que o efeito combinado dessas ações ajude a conter a inflação do combustível e amenize o custo de vida para trabalhadores, agricultores e transportadores.

Especialistas em economia destacam que a combinação de fiscalização e ajustes fiscais pode reduzir o impacto imediato, mas alertam que o cenário internacional ainda influencia os preços. A pressão do mercado global, unida à guerra no Oriente Médio, mantém a atenção do governo e da população sobre os próximos passos.

Para Lula, o objetivo é claro: proteger o trabalhador e o consumidor, evitar que a alta de preços se espalhe para alimentos e produtos essenciais, e garantir que o país tenha estabilidade em um período marcado por incertezas externas.


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