Lula diz que homenagem da Acadêmicos de Niterói, rebaixada no Carnaval, foi extraordinária

Durante uma visita oficial à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou com emoção sobre um assunto que, para muitos brasileiros, mistura política, cultura e memória afetiva: o Carnaval. Em Nova Déli, onde participou de encontros internacionais e de uma cúpula sobre inteligência artificial, Lula comentou a homenagem que recebeu da escola Acadêmicos de Niterói, classificando o desfile como algo “extraordinário”.
O tom da declaração foi pessoal. Lula fez questão de dizer que não participou de nenhuma decisão criativa. Segundo ele, seu papel foi apenas aceitar o convite para ser homenageado. “Eu não sou carnavalesco, não fiz samba-enredo, não cuidei de nada. Só aceitei”, afirmou, com a sinceridade de quem sabe separar o cargo que ocupa da manifestação cultural que o emocionou.
A escola levou para a avenida um enredo com o título “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A apresentação aconteceu na tradicional Marquês de Sapucaí, palco onde histórias pessoais e coletivas se transformam em espetáculo. O desfile contou a trajetória do presidente desde a infância humilde até chegar ao cargo mais alto da República.
Mas, curiosamente, o ponto que mais tocou Lula foi outro. Ele disse que o samba acabou sendo também uma homenagem à sua mãe, dona Lindu. Ao lembrar disso, falou com carinho sobre a migração da família do Nordeste para São Paulo, em busca de uma vida melhor. É uma história conhecida, mas que, quando cantada em forma de samba, ganha outra dimensão.
“Foi uma pena que minha mãe não estivesse viva para ouvir”, disse. A frase foi simples, direta, e revelou algo que vai além da política. Mostrou o lado humano de alguém que, apesar de ocupar um dos cargos mais poderosos do país, ainda se vê como filho, como alguém que carrega sua origem com orgulho.
Enquanto isso, o presidente cumpria agenda oficial a convite do primeiro-ministro Narendra Modi. O encontro entre os dois líderes teve foco em tecnologia e cooperação internacional, temas que dominam as discussões globais neste momento. O mundo vive uma corrida por inovação, e o Brasil busca seu espaço nesse cenário.
Mesmo a milhares de quilômetros de casa, Lula foi questionado sobre a repercussão do desfile. Nas redes sociais, o assunto dividiu opiniões. Alguns viram a homenagem como um reconhecimento cultural legítimo. Outros levantaram questionamentos políticos, principalmente pelo fato de Lula estar no exercício do mandato e já ter confirmado que pretende disputar a eleição de 2026.
Questionado sobre a reação de setores religiosos, o presidente preferiu não polemizar. Disse apenas que não tinha opinião sobre isso. Foi uma resposta curta, sem entrar em confronto, talvez sinalizando que prefere deixar o debate seguir sem sua interferência direta.
Aliados do presidente defendem que a escolha do enredo é uma decisão exclusiva da escola de samba. Eles lembram que o Carnaval sempre contou histórias de personagens importantes da vida brasileira, sejam artistas, líderes ou figuras populares. Nesse sentido, dizem que Lula é parte da história recente do país.
Por outro lado, integrantes do próprio partido minimizaram o impacto do resultado da escola no desfile. Segundo eles, oscilações são normais, especialmente para agremiações que estão começando sua trajetória no grupo principal.
No fim das contas, o episódio mostra como o Carnaval continua sendo muito mais do que festa. É memória, é identidade, é narrativa. E, às vezes, é também um espelho da própria história do Brasil, com suas conquistas, suas contradições e seus personagens que despertam sentimentos intensos — dentro e fora da avenida.





