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Lula e Paulo Okamotto transferiram R$ 873 mil para Lulinha

A divulgação de movimentações financeiras envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, voltou a chamar atenção nos bastidores da política em Brasília. Os dados surgiram a partir de registros bancários analisados em uma investigação e acabaram sendo divulgados pela coluna do jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles.

De acordo com as informações, Lula realizou três transferências para o filho que, somadas, chegam a R$ 721,3 mil. Os valores foram enviados em momentos diferentes, por meio de uma conta do presidente no Banco do Brasil localizada em São Bernardo do Campo, cidade onde o petista construiu boa parte de sua trajetória política.

A primeira transferência ocorreu em 22 de julho de 2022, quando Lula ainda era candidato à Presidência da República. Na ocasião, foram enviados R$ 384 mil para a conta de Lulinha. Curiosamente, no mesmo dia também apareceu um depósito feito por Paulo Okamotto, figura próxima ao presidente e então presidente da Fundação Perseu Abramo.

Esse segundo depósito foi de R$ 152.488,39 e aparece registrado com a anotação “Depósito cheque BB liquidado”. Okamotto também atua como diretor do Instituto Lula, organização voltada a projetos e debates políticos e sociais.

Nos registros disponíveis, não há indicação clara sobre a finalidade desses pagamentos. Mesmo assim, os dados mostram que, dois dias depois de receber o valor de R$ 384 mil, Lulinha fez uma movimentação financeira significativa.

Em 25 de julho de 2022, ele aplicou R$ 386 mil em um fundo de investimentos chamado BB Renda Fixa Longo Prazo High, também administrado pelo Banco do Brasil. Esse tipo de aplicação costuma investir em títulos públicos e privados, buscando rentabilidade um pouco acima de indicadores como o CDI.

Antes da transferência feita por Lula, o saldo da conta era relativamente baixo: pouco mais de R$ 12 mil. Após a entrada do dinheiro e a aplicação no fundo, o valor disponível na conta caiu para cerca de R$ 10 mil.

Situação parecida aconteceu meses depois. Em 27 de dezembro de 2023, Lula realizou mais duas transferências para o filho: uma de R$ 244,8 mil e outra de R$ 92,4 mil.

Antes desses depósitos, o saldo da conta estava em aproximadamente R$ 5.196. Depois das movimentações feitas por Lula e também por Okamotto, que voltaram a somar valores expressivos, o empresário novamente direcionou parte do dinheiro para investimentos.

Dessa vez, cerca de R$ 299,2 mil foram aplicados em fundos de renda fixa do Banco do Brasil. Além do BB Renda Fixa Longo Prazo High, houve aplicação também no BB Referenciado DI Plus Estilo, outro fundo conhecido por acompanhar indicadores do mercado financeiro.

Após essas aplicações, ocorreu um débito registrado como “taxa de custódia”, que retirou pouco menos de R$ 180 mil da conta. Com isso, o saldo acabou ficando levemente negativo, próximo de R$ 2 mil.

As informações fazem parte da quebra de sigilo bancário de uma das contas de Lulinha. Segundo os dados analisados na investigação, o empresário movimentou cerca de R$ 19,3 milhões nessa conta entre 2022 e 2025.

Aliados de Lulinha afirmaram à coluna que parte significativa desse montante teria origem em uma herança familiar. Já a defesa do empresário reforçou que ele não possui ligação com suspeitas relacionadas a um personagem conhecido como “Careca do INSS”, citado em outras frentes da investigação.

Os advogados também informaram que, se necessário, os esclarecimentos serão apresentados ao Supremo Tribunal Federal, considerado o foro adequado para tratar do caso.

Nos corredores de Brasília, o tema segue sendo acompanhado com atenção. Em um cenário político sempre movimentado — ainda mais em tempos de redes sociais e circulação rápida de informações — qualquer dado envolvendo figuras públicas acaba gerando debates e diferentes interpretações.

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