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Lula foi homenageado no Carnaval do Rio e não faltou críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro

A abertura do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro ganhou contornos políticos na noite deste domingo, 15, quando a escola de samba Acadêmicos de Niterói levou para a Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apresentação marcou a estreia da agremiação na elite do samba carioca e colocou o chefe do Executivo no centro de um dos momentos mais comentados da folia deste ano.

Presente em um camarote do sambódromo, Lula acompanhou o desfile ao lado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e acenou para o público nas arquibancadas. A expectativa em torno da participação do casal presidencial já vinha movimentando os bastidores nos dias que antecederam o espetáculo, especialmente pela dimensão simbólica de uma homenagem desse porte em pleno ano pré-eleitoral.

O desfile trouxe alegorias e alas que revisitaram a trajetória política do presidente, misturando referências históricas e elementos lúdicos típicos do Carnaval. Ao mesmo tempo, a escola incluiu críticas e sátiras ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado como o personagem Bozo na avenida, em clara alusão ao embate político que marcou as últimas eleições nacionais.

Um dos momentos que mais chamou a atenção foi a ausência de Janja no último carro alegórico. A primeira-dama era esperada para desfilar como destaque, mas acabou não participando da apresentação na avenida. Quem ocupou o espaço foi a cantora Fafá de Belém, que assumiu o posto e reforçou o tom simbólico da homenagem.

A escolha do enredo gerou debates intensos nas redes sociais e no meio político ao longo da semana. Críticos apontaram o risco de a apresentação ser interpretada como propaganda antecipada, já que Lula é apontado como possível candidato à reeleição em 2026. Defensores, por outro lado, destacaram a tradição do Carnaval em abordar temas políticos e figuras públicas como parte da cultura popular.

A reação mais imediata veio do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, que afirmou que irá protocolar uma ação no Tribunal Superior Eleitoral contra o que classificou como irregularidades envolvendo recursos públicos e promoção pessoal. Em publicação na rede social X, o parlamentar declarou que pretende questionar a homenagem e as críticas dirigidas a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na mesma linha, o Partido Novo informou que também pretende acionar a Justiça Eleitoral, alegando possível abuso de poder político e econômico. O episódio amplia a tensão entre governo e oposição e transforma o desfile da Acadêmicos de Niterói em um dos capítulos mais emblemáticos deste Carnaval, ao unir cultura, política e disputa eleitoral sob os holofotes da Sapucaí.

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