Mendonça e Fachin se unem para falar sobre caso Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, realizou na noite desta segunda-feira (9) uma reunião reservada com o ministro André Mendonça, responsável pela relatoria das investigações relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master. O encontro ocorreu em Brasília e não constava na agenda oficial de Fachin, o que chamou a atenção nos bastidores do tribunal e gerou questionamentos sobre os desdobramentos da investigação que movimenta o meio político e jurídico.
A conversa entre os magistrados acontece em meio ao avanço da chamada Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A nova fase da operação resultou na prisão do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As autoridades investigam um suposto esquema financeiro que teria movimentado valores expressivos e levantado suspeitas de irregularidades no sistema bancário.
Segundo informações divulgadas por veículos de imprensa, o encontro entre Fachin e Mendonça ocorreu poucos dias após a deflagração da terceira etapa da operação. A medida autorizada por Mendonça ampliou a apuração do caso e levou à detenção do empresário em São Paulo. Após a prisão, Vorcaro foi transferido para a capital federal, onde permanece sob custódia enquanto o processo segue em análise.
Além da reunião com o relator do caso, Fachin também manteve conversas ao longo do dia com outros integrantes da Corte. Entre eles, o vice-presidente do tribunal, Alexandre de Moraes. Nos bastidores do Supremo, o episódio tem provocado debates sobre a condução das investigações e sobre os possíveis impactos institucionais do caso, considerado um dos mais sensíveis do momento dentro do Judiciário.
Parte da repercussão recente se deve à divulgação de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro. De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Globo, o material teria sido localizado em dispositivos eletrônicos apreendidos pela Polícia Federal durante as buscas autorizadas pela Justiça. As mensagens teriam sido enviadas no dia 17 de novembro de 2025, poucas horas antes da primeira detenção do empresário.
Após a divulgação do conteúdo, a assessoria do Supremo divulgou uma nota oficial em nome do ministro Alexandre de Moraes. No comunicado, o magistrado afirma que não recebeu as mensagens mencionadas e nega qualquer ligação com o material divulgado. A manifestação buscou esclarecer o episódio e evitar interpretações equivocadas sobre eventual contato com o investigado.
Ainda na noite de segunda-feira, Fachin também se reuniu com representantes do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Durante o encontro, integrantes da entidade acompanharam atualizações sobre o andamento das investigações e defenderam acesso amplo ao material já produzido. Ao final da reunião, o presidente da OAB, Beto Simonetti, afirmou que a instituição pretende solicitar oficialmente acesso irrestrito aos autos e também buscar uma audiência com o ministro André Mendonça para discutir os próximos passos do caso, que segue sob atenção dentro e fora do Supremo.





