Mensagens revelam controle de celular de PM morta

A morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, segue provocando questionamentos e mobilizando familiares, advogados e investigadores. Encontrada sem vida no apartamento onde morava, na região central de São Paulo, a ocorrência inicialmente registrada como suicídio passou por reavaliação. Novas informações, especialmente mensagens trocadas antes do episódio, ampliaram o debate e levaram a Polícia Civil a tratar o caso como morte suspeita.
As mensagens, obtidas pela família, revelam um cenário de controle e tensão dentro do relacionamento. Em um dos diálogos, o marido de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, afirma ter acesso direto às redes sociais da esposa. Ao se dirigir a um primo da policial, o oficial diz que foi ele quem registrou conversas mantidas entre os dois e demonstra incômodo com a frequência do contato. O tom é direto e encerra qualquer possibilidade de diálogo ao afirmar que o assunto estava “resolvido”.
A resposta do primo, por sua vez, busca apaziguar. Ele relata conhecer Gisele desde a infância, nega qualquer intenção além de uma relação familiar e sugere um encontro para afastar mal-entendidos. Ainda assim, a conversa termina de forma abrupta, reforçando a percepção de vigilância constante. Para a defesa da família, esse contexto ajuda a entender o estado emocional da policial nos meses anteriores à morte.
Segundo o advogado que representa os familiares, Gisele estaria vivendo uma rotina de restrições. Ele afirma que ela “clamava por socorro”, tinha dificuldades para manter contato com parentes e enfrentava impedimentos até para decisões simples do dia a dia. O relato ganha peso diante da informação de que a policial desejava se separar, o que, na avaliação da família, contraria a versão inicial apresentada sobre os fatos.
No depoimento prestado às autoridades, o tenente-coronel relatou que havia solicitado o divórcio pouco antes do ocorrido e que a esposa teria reagido de forma negativa. Disse ainda que estava no banho no momento do disparo e que, ao perceber a gravidade da situação, acionou recursos da corporação e comunicou pessoas próximas. A arma envolvida pertence ao próprio oficial, detalhe que também está sendo analisado pelos investigadores.
Outro ponto levantado pela defesa diz respeito ao local do ocorrido. De acordo com o advogado, o ambiente não teria sido devidamente preservado, o que pode comprometer a análise técnica. A família aguarda os laudos periciais e sustenta que Gisele não apresentava razões aparentes para tirar a própria vida, defendendo a apuração sob a perspectiva de violência contra a mulher.
Após o episódio, o oficial informou ter sido encaminhado ao Hospital das Clínicas para atendimento psicológico. Em um trecho do depoimento, também explicou por que retornou ao apartamento para se arrumar depois dos fatos, afirmando que precisaria cumprir compromissos e ficaria fora por um longo período.
O caso segue em investigação, cercado de cautela e expectativa. Para a família, mais do que respostas rápidas, o que se busca é uma apuração minuciosa, capaz de esclarecer contradições e respeitar a memória de Gisele. Em meio a mensagens, versões divergentes e análises técnicas, a história ainda está longe de um desfecho definitivo.





