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México enfrenta onda de violência após morte de El Mencho; 62 mortos

O México enfrenta uma das mais graves crises de segurança pública de sua história recente após a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG). Confirmada pelas autoridades mexicanas em 22 de fevereiro de 2026, a operação militar que resultou em sua eliminação ocorreu em Tapalpa, no estado de Jalisco, com apoio de inteligência estrangeira. Esse evento, embora represente um golpe significativo contra o narcotráfico, desencadeou uma reação violenta imediata por parte do cartel, espalhando o terror por diversas regiões do país.

A onda de violência retaliatória iniciou-se poucas horas após o anúncio da morte de El Mencho, com relatos de bloqueios de estradas, incêndios de veículos e confrontos armados em Jalisco e estados vizinhos como Michoacán e Guanajuato. O CJNG, conhecido por sua estrutura organizada e arsenal sofisticado, mobilizou células criminosas para atacar forças de segurança e civis, demonstrando sua capacidade de resposta rápida e coordenada. Essa escalada reflete a fragilidade do controle estatal sobre territórios dominados pelo crime organizado, onde o cartel opera com impunidade há anos.

De acordo com declarações oficiais, o saldo de vítimas já ultrapassa 62 mortos em menos de 24 horas, um número que pode aumentar à medida que novos incidentes são reportados. Entre as baixas, destacam-se 25 membros da Guarda Nacional, alvos principais dos ataques em seis pontos distintos de Jalisco. Esses agentes foram emboscados em patrulhas rotineiras, o que evidencia a vulnerabilidade das forças de segurança frente a táticas guerrilheiras empregadas pelo cartel. Além disso, suspeitos ligados ao crime organizado compõem a maioria das outras vítimas, sugerindo confrontos internos ou execuções sumárias.

O ministro da Segurança e Proteção Cidadã, Omar García Harfuch, em coletiva de imprensa realizada em 23 de fevereiro, enfatizou a ativação de protocolos de emergência, incluindo o “código vermelho”, para conter a instabilidade. Tropas adicionais foram deslocadas para as áreas afetadas, com prisões em massa de supostos membros do CJNG e recuperação de armas e veículos. No entanto, a resposta governamental enfrenta críticas por sua lentidão e por não abordar as raízes socioeconômicas que alimentam o recrutamento de jovens para o narcotráfico.

O impacto econômico e social da violência é imediato e profundo, com o caos interrompendo o tráfego em rodovias principais e afetando o turismo em regiões como Guadalajara e Puerto Vallarta. Empresas locais relatam paralisações, enquanto a população civil vive sob medo constante, com toques de recolher informais e alertas de segurança emitidos por autoridades. Essa situação agrava a já elevada taxa de homicídios no México, que registra mais de 30 mil mortes violentas anualmente, muitas ligadas ao tráfico de drogas.

A morte de El Mencho pode sinalizar uma transição no poder dentro do CJNG, com disputas internas por liderança que poderiam intensificar a violência a longo prazo. Analistas de segurança alertam para o risco de fragmentação do cartel, gerando facções rivais e alianças instáveis com outros grupos criminosos. O governo mexicano, sob pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos, que ofereceu recompensa pela captura de El Mencho, agora precisa equilibrar repressão militar com estratégias de inteligência para desmantelar as redes financeiras e logísticas do cartel.

Diante desse cenário, a comunidade internacional observa com preocupação os desdobramentos, enquanto o México luta para restaurar a ordem e prevenir uma escalada que poderia se espalhar para além de suas fronteiras. A resiliência da sociedade mexicana, marcada por protestos e demandas por justiça, será crucial para superar essa crise, mas o caminho para a paz permanece incerto em um país onde o narcotráfico continua a desafiar as instituições democráticas.

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