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Michelle Bolsonaro ironiza rebaixamento de escola que homenageou Lula

O Carnaval do Rio de Janeiro sempre foi mais do que uma festa. É cultura, é arte e, muitas vezes, também é palco de debates e posicionamentos. Neste ano, um episódio envolvendo a escola de samba Acadêmicos de Niterói acabou ultrapassando os limites da avenida e entrou de vez no campo político. O rebaixamento da agremiação do Grupo Especial gerou repercussão imediata — não apenas entre os amantes do samba, mas também entre figuras públicas de destaque nacional.

A escola havia apresentado um samba-enredo que homenageava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, figura central da política brasileira nas últimas décadas. O desfile trouxe alegorias, fantasias e alas que buscavam retratar momentos históricos e simbólicos ligados à trajetória do presidente. Entre os elementos apresentados, uma ala intitulada “Neoconservadores em Conserva” chamou atenção e gerou interpretações variadas, especialmente entre setores mais alinhados à oposição.

Pouco tempo após a divulgação do resultado oficial, que confirmou o rebaixamento da escola, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se manifestou nas redes sociais. Sem escrever nenhuma frase diretamente, ela compartilhou uma publicação com tom irônico e utilizou apenas um emoji de risada, acompanhado de um áudio com som semelhante. O gesto, embora simples, foi suficiente para gerar forte repercussão entre seguidores e críticos.

A publicação original era do vereador carioca Rafael Satiê e trazia uma montagem com imagens do presidente Lula e do prefeito Eduardo Paes, acompanhadas da frase “Rebaixados em Conserva”. A expressão fazia referência direta à ala apresentada no desfile, interpretada por alguns como uma crítica simbólica a grupos conservadores.

O Carnaval, historicamente, sempre dialogou com a realidade social e política do país. Não é novidade que escolas de samba abordem temas ligados a líderes, movimentos ou acontecimentos relevantes. Ao longo das décadas, a Marquês de Sapucaí já recebeu enredos sobre presidentes, personalidades culturais e até críticas sociais mais amplas. O que muda, hoje, é a velocidade com que essas apresentações reverberam nas redes sociais.

Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, os senadores e vereadores Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, também comentaram o episódio. Em suas publicações, adotaram um tom mais direto, afirmando que o resultado representava uma derrota simbólica e fazendo comparações com o cenário político nacional.

Essas reações mostram como o Carnaval, além de expressão artística, se tornou também um espaço de disputa narrativa. Cada detalhe — uma fantasia, uma frase, um gesto — pode ganhar novos significados dependendo de quem observa. Para uns, trata-se apenas de manifestação cultural. Para outros, é um posicionamento com implicações mais amplas.

Enquanto isso, entre os integrantes e apoiadores da Acadêmicos de Niterói, o sentimento é de frustração, mas também de resiliência. O rebaixamento representa um desafio importante, exigindo reorganização e planejamento para os próximos anos. No universo das escolas de samba, cair de grupo não significa desaparecer. Muitas agremiações já passaram por isso e retornaram ainda mais fortes.

Nas ruas e nas redes, o assunto continua sendo debatido. Em tempos de polarização e intensa presença digital, até mesmo o Carnaval — tradicional espaço de alegria e celebração — reflete o clima do país. No fim das contas, a avenida segue sendo um espelho da sociedade brasileira, com suas paixões, divergências e, acima de tudo, sua capacidade de transformar acontecimentos em história viva.

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