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Michelle ignora advogados e filhos de Bolsonaro em reunião com Moraes e aprofunda crise no clã; entenda

A segunda-feira (23) começou tensa em Brasília, mas ganhou um capítulo inesperado quando Michelle Bolsonaro decidiu ir sozinha ao encontro do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal. O gesto, que poderia parecer apenas mais uma agenda institucional, acabou acendendo um alerta dentro do próprio grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Sem advogados, sem filhos, sem assessores. Michelle optou por conduzir a conversa de forma direta, o que, nos bastidores, foi visto como uma atitude fora do padrão. Em momentos delicados como esse, o comum é que encontros desse tipo sejam cuidadosamente articulados por equipes jurídicas. Não foi o caso.

A reunião teve um objetivo claro: defender a possibilidade de prisão domiciliar para Bolsonaro, que está internado no Hospital DF Star desde o dia 13 de março. Segundo informações divulgadas, Michelle apresentou argumentos médicos, destacando riscos relacionados à saúde do ex-presidente, principalmente durante a noite, quando ele ficaria sem acompanhamento direto.

Até aí, tudo dentro do esperado. O ponto de virada foi a forma.

A ausência de representantes legais chamou atenção imediata — e não só da imprensa. De acordo com a jornalista Mônica Bergamo, aliados próximos interpretaram a iniciativa como uma tentativa de protagonismo político. Em um cenário já sensível, a leitura caiu como gasolina em fogo baixo.

Para efeito de comparação, o senador Flávio Bolsonaro participou recentemente de uma agenda semelhante, mas acompanhado de advogados e dentro de uma estratégia alinhada com a defesa. Ou seja, outro estilo, outra abordagem — e, aparentemente, outra repercussão.

Nos corredores de Brasília, a expectativa agora gira em torno da decisão de Moraes. A Procuradoria-Geral da República já se manifestou de forma favorável à prisão domiciliar, o que aumenta a pressão por um desfecho rápido. Ainda assim, ninguém arrisca cravar quando — ou como — isso será decidido.

Enquanto isso, o clima dentro da família Bolsonaro segue longe de ser tranquilo.

A crise, na verdade, não começou agora. Desde o fim de 2025, sinais de desgaste já vinham aparecendo, especialmente em torno da possível candidatura presidencial de Flávio. Michelle nunca demonstrou apoio explícito, e isso incomodou — e muito.

O deputado Eduardo Bolsonaro chegou a fazer críticas diretas. Já Carlos Bolsonaro preferiu o caminho indireto, com publicações que sugeriam falta de engajamento dentro do próprio núcleo familiar. Michelle, por sua vez, respondeu no mesmo tom: disse que não abriria mão das próprias convicções.

E aí entra um detalhe que ajuda a entender o tamanho do racha.

Nos últimos meses, divergências políticas começaram a se misturar com questões pessoais. Um exemplo foi a crítica de Michelle a articulações feitas por Flávio em estados do Nordeste, incluindo aproximações com o ex-ministro Ciro Gomes. Em redes sociais, ela classificou essas negociações como incompatíveis com os valores que defende.

Não ficou só nisso. Vieram respostas, indiretas, e aquele tipo de troca que, mesmo sem nomes explícitos, todo mundo entende.

Diante desse cenário, a ida solo ao STF não parece um episódio isolado. Pelo contrário, soa como mais um movimento dentro de uma disputa maior — menos visível ao público, mas cada vez mais evidente para quem acompanha de perto.

Com Bolsonaro enfrentando problemas de saúde e uma situação jurídica delicada, o que se vê é um grupo que, além dos desafios externos, precisa lidar com suas próprias fissuras internas. E, convenhamos, isso costuma pesar — às vezes até mais do que qualquer decisão judicial.

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