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Michelle reage à imagem de Bolsonaro como palhaço em desfile sobre Lula

O desfile deste domingo, 15 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, misturou brilho, política e reação imediata nas redes sociais. A escola de samba Acadêmicos de Niterói levou para a avenida o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, exaltando a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde os anos 1950.

O desfile foi construído como uma narrativa biográfica. A comissão de frente representou a infância nordestina, as alas seguintes passaram pelo período como operário metalúrgico e pelas greves do ABC. No carro alegórico principal, o ator e humorista Paulo Vieira interpretou Lula, em uma encenação que arrancou aplausos de parte do público.

Mas foi outra alegoria que dominou o debate fora da avenida. Em um dos carros, o ex-presidente Jair Bolsonaro apareceu retratado como um palhaço, atrás de grades e usando tornozeleira eletrônica. A imagem fazia referência a episódios recentes envolvendo decisões judiciais. A representação gerou críticas imediatas de apoiadores do ex-presidente.

Na mesma noite, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se manifestou nas redes sociais. Em publicação no Instagram, ela escreveu: “Só para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião”. A mensagem rapidamente circulou entre perfis políticos e páginas de notícias.

O episódio reacende um ponto que tem sido constante nos últimos carnavais: a presença cada vez mais explícita de temas políticos na folia. Se antes as escolas abordavam majoritariamente cultura, folclore e homenagens históricas, nos últimos anos a avenida se transformou também em palco de posicionamentos. Para alguns, é expressão legítima da liberdade artística. Para outros, é uma mistura que divide o público.

Lula não desfilou, mas acompanhou tudo de perto. Ele esteve na avenida ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes, observando a apresentação. A presença do presidente reforçou o caráter simbólico do enredo. A escola apostou na ideia de superação e esperança, palavras que apareceram com frequência na letra do samba.

O carnaval de 2026 já vinha sendo marcado por disputas narrativas nas redes sociais. Em um país polarizado, qualquer gesto ganha proporções maiores. A alegoria que retratou Bolsonaro acabou se tornando um dos assuntos mais comentados da noite, dividindo opiniões entre quem viu crítica política e quem considerou exagero.

Especialistas em cultura costumam lembrar que o samba-enredo historicamente dialoga com o momento do país. Nos anos 1980 e 1990, por exemplo, várias escolas abordaram temas sociais e políticos de forma simbólica. A diferença agora talvez esteja na velocidade com que as reações acontecem. Em minutos, vídeos e fotos circulam por todo o Brasil.

Entre aplausos e críticas, o desfile da Acadêmicos de Niterói cumpriu o que o carnaval costuma fazer bem: provocar conversa. A arte, goste-se ou não, mexe com sentimentos e convicções. E, ao que tudo indica, a discussão sobre os limites entre festa popular e posicionamento político ainda vai render muitos capítulos — dentro e fora da avenida.

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