Morre a farmacêutica Júlia Gabriela, aos 29 anos

Em um trágico episódio de violência doméstica que abalou a cidade de Botucatu, no interior de São Paulo, a farmacêutica Júlia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos, faleceu após ser baleada pelo ex-companheiro. O incidente ocorreu na noite de sábado, 21 de fevereiro de 2026, destacando mais uma vez os perigos enfrentados por mulheres em situações de separação conflituosa. Júlia, conhecida por sua dedicação profissional e materna, deixou um filho de 8 anos, fruto do relacionamento anterior, e uma comunidade consternada com a brutalidade do ato.
O ataque aconteceu enquanto Júlia estava em um veículo Volkswagen Virtus, ao lado de seu namorado atual, Diego Corrêa da Silva, de 34 anos, no bairro Jardim Cambuí, em Botucatu. Diego Sansalone, o ex-companheiro de 38 anos, aproximou-se do carro e disparou múltiplos tiros, motivado por ciúmes após a recente separação. Diego da Silva foi atingido fatalmente no local, morrendo instantaneamente, enquanto Júlia foi ferida gravemente no rosto, com lesões que afetaram sua visão e causaram danos cerebrais irreversíveis.
Júlia era uma profissional respeitada na área farmacêutica, atuando em uma rede local de saúde, e havia tentado proteger-se legalmente antes do crime. Um dia antes do atentado, ela solicitou uma medida protetiva contra Sansalone, mas o pedido foi negado pela Justiça, o que levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de proteção às vítimas de violência doméstica. Sua vida era marcada por uma rotina dedicada ao trabalho e à família, e o relacionamento com Sansalone havia se deteriorado nos meses anteriores, culminando em ameaças e instabilidade emocional.
Após os disparos, Sansalone fugiu do local levando o filho do casal, gerando uma intensa operação policial para localizá-lo. A criança de 8 anos foi resgatada ilesa, mas o trauma psicológico do episódio é incalculável. Sansalone, que possui antecedentes relacionados a comportamentos possessivos, foi capturado no dia seguinte, 22 de fevereiro, em uma ação coordenada pelas autoridades locais, evitando uma tragédia ainda maior.
Júlia foi socorrida e internada em estado gravíssimo no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, onde uma equipe médica lutou por sua vida durante quatro dias. Apesar dos esforços, ela não resistiu às complicações das lesões e faleceu na madrugada de 25 de fevereiro de 2026. Sua morte foi confirmada pela família, que expressou profundo luto e indignação com a violência sofrida.
Agora, Sansalone responde por duplo homicídio, com agravantes de feminicídio no caso de Júlia, além de outros crimes como sequestro da criança e porte ilegal de arma. A investigação prossegue para esclarecer todos os detalhes, incluindo possíveis falhas no sistema judiciário que poderiam ter prevenido o desfecho fatal. O caso reforça a necessidade de maior agilidade em denúncias de violência contra a mulher.
Esse incidente em Botucatu serve como um doloroso lembrete da epidemia de feminicídios no Brasil, onde milhares de mulheres perdem a vida anualmente em contextos semelhantes. A comunidade local se mobiliza em homenagens a Júlia, com velório e sepultamento marcados para o Cemitério Portal das Cruzes, e clama por mudanças que garantam proteção efetiva e justiça para as vítimas.





