Morre Didi, após enfrentar sérias complicações de saúde

A cidade de Santos amanheceu nesta terça-feira, dia 24, com a notícia da morte de João Araújo, o Didi, aos 87 anos. Conhecido por ter criado o famoso topete de Pelé, o cabeleireiro construiu uma história que ultrapassou as portas de uma simples barbearia e entrou para a memória afetiva do futebol brasileiro. A informação foi confirmada após ele enfrentar complicações decorrentes de cirurgias no intestino. Nas redes sociais, fãs e famosos prestaram as últimas homenagens ao senhor João Araújo.
Didi estava internado no hospital Beneficência Portuguesa, em Santos, desde o início de fevereiro, quando passou por exames de imagem que indicaram a necessidade de um procedimento cirúrgico. No dia 12, ele foi submetido à primeira cirurgia e, dias depois, precisou realizar uma nova intervenção. Na madrugada desta terça-feira, sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu, segundo relato da família.
O velório acontece a partir das 10h na própria Beneficência Portuguesa e segue até às 15h40. Em seguida, o cortejo está previsto para sair às 16h em direção ao Memorial Necrópole Ecumênica, no bairro Marapé, onde será realizada a cremação. Didi deixa esposa e três filhos, que acompanham as homenagens e recebem o carinho de amigos e admiradores.
A trajetória do cabeleireiro se confunde com a história de um dos maiores ídolos do esporte mundial. Foi ainda na adolescência, quando tinha entre 15 e 16 anos, que Didi viu pela primeira vez um jovem promissor entrar na barbearia próxima à Vila Belmiro. Ali começava uma parceria que atravessaria décadas ao lado de Pelé, reconhecido internacionalmente como o Rei do Futebol.
Mais do que cuidar do visual, Didi ajudou a criar uma marca registrada. O topete que acompanhou Pelé em Copas do Mundo e grandes conquistas nasceu das mãos do cabeleireiro santista, tornando-se símbolo de elegância e identidade dentro e fora dos gramados. Em entrevista concedida há três anos ao g1, ele afirmou que qualquer profissional da área gostaria de ter um cliente como o Atleta do Século XX.
A relação entre os dois ultrapassou o profissionalismo e ganhou contornos de amizade profunda. Em diferentes momentos, Pelé se referia a Didi como irmão, evidenciando o vínculo construído ao longo do tempo. Após a morte do jogador, o cabeleireiro declarou que guardaria para sempre a imagem do amigo e destacou que só tinha lembranças positivas da convivência.
Na barbearia, os presentes recebidos ao longo dos anos ocupavam lugar de destaque, reforçando o reconhecimento mútuo. Um dos itens mais comentados era o quadro do tricampeonato mundial de 1970, autografado com a dedicatória que o chamava de maior barbeiro do Brasil. Com a despedida de Didi, Santos perde um personagem marcante de sua história, enquanto o futebol brasileiro se despede de alguém que ajudou a compor a imagem de um de seus maiores símbolos.





