Morre humorista Nelson “Tatá” Alexandre, aos 84 anos

Entre os nomes que ajudaram a moldar o humor popular no rádio brasileiro, poucos carregam uma trajetória tão curiosa quanto a de Nelson “Tatá” Alexandre. Dono de um estilo direto, rápido e cheio de improviso, ele marcou presença em programas que hoje fazem parte da memória afetiva de quem acompanhou o rádio e a televisão entre as décadas de 1970 e 1980.
Tatá surgiu em uma época em que o rádio era uma verdadeira vitrine de talentos. Antes da popularização da internet e muito antes das redes sociais, era no dial que muitos humoristas encontravam espaço para criar personagens, testar piadas e dialogar diretamente com o público. Foi justamente nesse ambiente que ele ganhou projeção nacional.
Um dos momentos mais importantes de sua trajetória aconteceu quando passou a integrar o elenco do Show de Rádio, transmitido pela tradicional emissora Jovem Pan. A atração era conhecida por misturar humor, comentários esportivos e improviso — uma fórmula que parecia simples, mas que exigia rapidez de raciocínio e muita criatividade.
Tatá se encaixou perfeitamente nesse formato. Seu jeito espontâneo e sua habilidade de construir piadas no improviso conquistaram os ouvintes. Em uma época em que grande parte do conteúdo era ao vivo, o humorista se destacava justamente pela naturalidade. Não havia roteiro rígido. Muitas das melhores tiradas surgiam no calor da conversa.
O sucesso no rádio abriu portas também na televisão. Tatá passou a aparecer em quadros do lendário Perdidos na Noite, programa comandado por Fausto Silva, que se tornaria um dos apresentadores mais conhecidos do país. A atração, exibida inicialmente no início dos anos 1980, ficou famosa por seu clima irreverente e por dar espaço a artistas que ainda estavam construindo carreira.
Nos esquetes humorísticos do programa, Tatá mantinha o mesmo estilo que o público já conhecia do rádio. Improvisava, brincava com situações inesperadas e participava de quadros que apostavam muito mais na espontaneidade do que em produções elaboradas.
O programa, aliás, acabou se transformando em uma espécie de laboratório de talentos do humor brasileiro. Muitos artistas que depois se tornariam populares passaram por ali em algum momento. Nesse contexto, a presença de Tatá ajudava a dar ritmo às cenas e garantir momentos de humor leve e descontraído.
Outro capítulo importante de sua trajetória foi a parceria com o humorista Carlos Roberto Escova. Juntos, os dois formaram uma dupla que participou de apresentações e quadros cômicos em diferentes formatos, tanto no rádio quanto em eventos e programas de entretenimento.
Quem trabalhou com Tatá costuma lembrar de uma característica muito específica: a rapidez mental. Bastava uma situação inesperada para que ele criasse uma resposta divertida. Esse tipo de habilidade, bastante valorizada no rádio ao vivo, acabou se tornando uma marca registrada do artista.
Com o passar dos anos, a forma de consumir entretenimento mudou bastante. A televisão ganhou novos formatos, o rádio se reinventou e o humor passou a circular também na internet. Ainda assim, nomes como o de Nelson “Tatá” Alexandre permanecem como parte importante da história do humor brasileiro.
Para muitos ouvintes da época, relembrar sua participação em programas clássicos é quase como abrir um álbum de memórias. São lembranças de um tempo em que o improviso dominava o estúdio e em que uma boa piada podia atravessar o país apenas pelo som de um rádio ligado na sala de casa.
Mais do que apenas fazer rir, Tatá representou uma geração de comunicadores que ajudou a transformar o humor em um elemento central da programação popular brasileira. E, mesmo décadas depois, seu estilo irreverente continua sendo lembrado por quem acompanhou aquela fase tão criativa do rádio e da televisão
O humorista e radialista Nelson “Tatá” Alexandre morreu na noite de quinta-feira (12/3), aos 84 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Beneficência Portuguesa, onde realizava sessões de hemodiálise devido a complicações nos rins.





