Morre o operador de áudio José Cláudio Barbedo, autor da vinheta ‘Brasil-sil-sil’

O rádio brasileiro e a televisão amanheceram mais silenciosos na última quarta-feira, 18 de fevereiro, com a notícia da morte do operador de áudio José Cláudio Barbedo, conhecido nacionalmente como Formiga. Ele foi o responsável por criar uma das vinhetas mais marcantes das transmissões esportivas da TV brasileira, o inesquecível Brasil-sil-sil, que atravessou décadas e se tornou símbolo de emoção para milhões de torcedores.
A informação foi divulgada inicialmente pela Rádio TMC e rapidamente repercutiu entre profissionais da comunicação e admiradores do rádio esportivo. Segundo o portal Folha do Leste, vizinhos encontraram Formiga passando mal dentro do próprio apartamento na segunda-feira, 16 de fevereiro, e ele foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento de Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A causa da morte não havia sido informada até a última atualização desta reportagem.
Com uma trajetória marcada por criatividade e dedicação, Formiga construiu uma carreira sólida nos bastidores das transmissões. Seu trabalho ganhou projeção nacional ao integrar a equipe da Globo, onde atuou diretamente na construção de efeitos sonoros que ajudaram a definir o padrão das coberturas esportivas no país.
A vinheta Brasil-sil-sil nasceu em 1969, em meio à mobilização da torcida pela Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1970. Foi Formiga quem criou o efeito de eco que marcou a voz do locutor Edmo Zarife, transformando a chamada em um elemento inesquecível da memória coletiva do esporte brasileiro. O recurso técnico, simples na essência, revelou sensibilidade artística e entendimento profundo do impacto do som na experiência do público.
Durante 30 anos, Formiga trabalhou na Rádio Globo, período em que participou de inúmeras transmissões históricas. Sua contribuição foi decisiva para consolidar uma identidade sonora que acompanhou gerações de ouvintes e telespectadores em momentos marcantes do futebol nacional e internacional.
Após deixar a emissora em 2011, o profissional ingressou com uma ação judicial contra o Grupo Globo relacionada ao uso e à veiculação da vinheta Brasil-sil-sil. O processo seguiu por uma década até que, em decisão do Superior Tribunal de Justiça, foi reconhecido o direito do sonoplasta, garantindo a ele indenização pelo uso da criação. O desfecho foi visto por colegas como um reconhecimento tardio, porém significativo, de sua autoria e importância.
Nas redes sociais, o comunicador e ex-sonoplasta Aroldo Barros prestou homenagem ao amigo e destacou a relevância de Formiga para a sonoplastia brasileira. Em mensagem emocionada, afirmou que o rádio estava de luto e desejou luz em sua nova caminhada, ressaltando o talento e o legado deixado por ele. A manifestação ecoou entre profissionais da área, que relembraram a genialidade do operador de áudio e sua contribuição para a história das transmissões esportivas no Brasil.
A morte de José Cláudio Barbedo encerra um capítulo importante da história do rádio esportivo, mas sua criação permanece viva na memória do público. Sempre que o Brasil entrar em campo e a lembrança do tradicional coro ecoar, o trabalho de Formiga continuará presente, reafirmando o poder do som em unir torcedores e marcar épocas.





