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Morre Robert Duvall, ator de ‘O Poderoso Chefão’

Robert Duvall, um dos atores mais icônicos e versáteis de Hollywood, faleceu aos 95 anos no último domingo, 15 de fevereiro de 2026, em sua casa em Middleburg, na Virgínia, Estados Unidos. A notícia foi confirmada por sua esposa, Luciana Duvall, em um comunicado emocionante que destacou como ele partiu pacificamente, cercado de amor e conforto. Com uma carreira que se estendeu por mais de seis décadas, Duvall deixou um legado indelével no cinema, marcado por interpretações profundas e autênticas que capturavam a essência da condição humana. Sua partida representa uma perda irreparável para a indústria do entretenimento, onde ele era reverenciado não apenas por seu talento, mas por sua dedicação incansável à arte da atuação.

Nascido em 5 de janeiro de 1931, em San Diego, na Califórnia, Robert Selden Duvall cresceu em uma família militar. Seu pai, William Howard Duvall, era um almirante da Marinha dos Estados Unidos, o que levou a família a se mudar frequentemente durante sua infância. Essa vida nômade moldou sua personalidade resiliente e observadora, traços que mais tarde se refletiriam em seus papéis. Após o ensino médio, Duvall serviu no Exército dos Estados Unidos durante a Guerra da Coreia, entre 1953 e 1954, experiência que o expôs a realidades duras e o inspirou a explorar narrativas de conflito e humanidade em sua carreira artística.

Ao retornar do serviço militar, Duvall decidiu perseguir sua paixão pela atuação. Ele se matriculou no Neighborhood Playhouse School of the Theatre, em Nova York, onde estudou sob a orientação do lendário professor Sanford Meisner. Essa formação clássica, baseada no método de imersão emocional, foi fundamental para desenvolver sua técnica única, que priorizava a autenticidade sobre o espetáculo. Durante os anos 1950 e 1960, ele começou a ganhar experiência no teatro off-Broadway e em séries de televisão, como “The Twilight Zone” e “The Outer Limits”, onde demonstrou versatilidade em papéis secundários que já chamavam atenção pela intensidade.

O grande salto para o estrelato veio no cinema, com sua estreia notável em “O Sol é para Todos” (To Kill a Mockingbird), de 1962, onde interpretou o enigmático Boo Radley, um personagem que exigia sutileza e profundidade. Esse papel o estabeleceu como um ator capaz de roubar cenas mesmo em papéis coadjuvantes. Mas foi em 1972, com “O Poderoso Chefão” (The Godfather), dirigido por Francis Ford Coppola, que Duvall alcançou reconhecimento global ao viver Tom Hagen, o conselheiro leal da família Corleone. Sua performance, marcada por uma calma calculada e lealdade inabalável, rendeu-lhe a primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

A colaboração com Coppola continuou em “Apocalypse Now” (1979), onde Duvall imortalizou o tenente-coronel Bill Kilgore, um oficial obcecado por surfe em meio ao caos da Guerra do Vietnã. A icônica frase “I love the smell of napalm in the morning” se tornou sinônimo de sua entrega total ao personagem, misturando humor negro com loucura bélica. Em 1983, ele conquistou o Oscar de Melhor Ator por “A Força do Carinho” (Tender Mercies), no qual interpretou um cantor country em busca de redenção. Esse prêmio coroou uma fase de maturidade artística, onde Duvall explorava temas de vulnerabilidade e regeneração pessoal.

Nas décadas seguintes, Duvall expandiu seu repertório para além da atuação, aventurando-se na direção e produção. Em 1997, ele dirigiu e estrelou “O Apóstolo” (The Apostle), um drama sobre um pregador evangélico em crise de fé, que lhe valeu outra indicação ao Oscar. Filmes como “Cores” (Colors, 1988), “O Natural” (The Natural, 1984) e “Viagem Insólita” (Deep Impact, 1998) demonstraram sua habilidade em transitar entre gêneros, do drama ao suspense. Mesmo na velhice, ele continuou ativo, com papéis memoráveis em produções como “O Juiz” (The Judge, 2014) e séries de TV, provando que sua paixão pelo ofício era inabalável.

Em sua vida pessoal, Duvall foi casado quatro vezes, encontrando estabilidade duradoura com a atriz e diretora argentina Luciana Pedraza, com quem se casou em 2005. Eles compartilharam uma vida tranquila no campo, longe dos holofotes de Hollywood, onde ele cultivava interesses como dança tango e criação de cavalos. Seu legado vai além das telas: Duvall era conhecido por sua integridade, recusando papéis que não ressoassem com sua visão artística, e por inspirar gerações de atores com sua ética de trabalho. Com sua morte, o mundo do cinema perde um gigante, mas sua história permanece viva em cada frame que ele eternizou.

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