Morre Taís Santana, jornalista da Record, aos 51 anos

O Brasil amanheceu mais silencioso nesta segunda-feira (23). A confirmação da morte da jornalista Taís Santana, aos 51 anos, pegou colegas, ouvintes e telespectadores de surpresa. Profissional respeitada, ela integrava a equipe da RICTV, afiliada da Record no Paraná, e construiu uma trajetória marcada por dedicação e proximidade com o público.
Taís faleceu na madrugada, em Nova Esperança, no Noroeste do estado onde nasceu e deu os primeiros passos na comunicação. O velório ocorre na Capela Municipal da cidade, e o sepultamento está previsto para o fim da tarde, no Cemitério Municipal. Desde as primeiras horas do dia, mensagens de carinho tomaram conta das redes sociais. Ex-colegas, amigos e ouvintes lembraram da postura firme diante das câmeras e do jeito acolhedor fora delas.
Natural de Nova Esperança, Taís começou no rádio, como tantos profissionais apaixonados pela notícia. Passou por emissoras locais, ganhou experiência, ampliou horizontes. Com o tempo, seguiu para a capital paranaense e consolidou seu nome também na televisão. Na Band, fez parte do time que prioriza informação dinâmica e contato direto com a audiência.
Um dos períodos mais lembrados de sua carreira foi na Rádio BandNews Curitiba, onde apresentou por mais de quatro anos o jornal BandNews Edição da Tarde, ao lado de Cleverson Bravo. Era aquele horário em que muita gente está no trânsito, voltando do trabalho, buscando atualização dos fatos do dia. Taís entrava no ar com voz segura, ritmo ágil e, ao mesmo tempo, espaço para o ouvinte participar. Criou ali uma relação diária com quem precisava de informação clara no meio da correria.
Ela também teve passagens pela Rádio Cidade FM e pela Globo FM, experiências que ajudaram a moldar seu estilo versátil. Mais recentemente, atuava na TV Ric, em Maringá, mantendo-se na linha de frente da cobertura regional. Era comum vê-la em reportagens especiais, entrevistas ao vivo e na apresentação de telejornais que valorizavam as pautas do interior.
Mas talvez um dos capítulos mais marcantes de sua vida tenha acontecido fora dos estúdios. Em 2017, Taís enfrentou um câncer de mama. Amigos relatam que ela atravessou o tratamento com coragem e fé, sem se desligar completamente do trabalho que tanto amava. Voltava aos poucos, participava quando podia, mantinha contato com colegas. Essa postura reforçou a imagem de uma mulher determinada, que não se deixava definir pelas dificuldades.
No último Dia Internacional da Mulher, publicou uma mensagem que agora ganha ainda mais significado. “Somos mulher de fé, em pé. Vez ou outra a vida pode até tentar nos derrubar. Mas ficar no chão jamais será opção. Sempre em frente… Nosso dia? Mas qual não é?”, escreveu, em tom leve, quase brincando. Era o jeito dela: firme, mas com sorriso nas entrelinhas.
A partida de Taís deixa uma lacuna no jornalismo do Paraná. Em tempos em que a informação circula rápido e a credibilidade é tão valiosa, profissionais como ela fazem diferença. Mais do que números ou cargos, ficam as memórias das conversas no estúdio, das entradas ao vivo, das histórias contadas com responsabilidade.
Hoje, Nova Esperança se despede de uma filha ilustre. E o público, espalhado pelo estado, guarda na lembrança a voz que acompanhou tantas tardes e manhãs. A notícia de sua partida entristece, mas sua trajetória permanece como referência de compromisso, perseverança e amor pela comunicação.





