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Mulher pede divórcio após o ChatGPT analisar borra de café e dizer que ela estava sendo traída

Uma história inusitada vinda da Grécia ganhou repercussão internacional ao envolver tecnologia, tradição cultural e o fim de um casamento de mais de uma década. Uma mulher decidiu pedir o divórcio após recorrer ao ChatGPT para interpretar a borra de café deixada nas xícaras consumidas por ela e pelo marido. A decisão surpreendeu familiares e amigos e reacendeu o debate sobre os limites do uso da inteligência artificial na vida pessoal.

De acordo com informações divulgadas pelo site Vice, a mulher fotografou o interior das xícaras de café grego e enviou as imagens à ferramenta de IA, solicitando uma interpretação simbólica dos padrões formados pela borra. A prática foi inspirada na tasseografia, método tradicional utilizado há gerações para tentar prever acontecimentos futuros por meio da leitura de resíduos deixados na bebida. A tecnologia, nesse caso, teria sido usada como uma espécie de intérprete digital de um costume antigo.

Segundo o relato do marido, a resposta apresentada pela inteligência artificial indicava sinais de infidelidade. A interpretação mencionava o possível envolvimento com uma mulher cujo nome começaria com a letra E e ainda sugeria que essa pessoa estaria tentando interferir na estrutura familiar do casal. A partir dessa leitura, a esposa decidiu encerrar a relação de 12 anos.

O homem, por sua vez, nega qualquer relacionamento extraconjugal e afirma ter sido pego de surpresa com a proporção que a situação tomou. Em entrevista, ele relatou que a esposa costuma se interessar por tendências e novidades, e que a ideia de fotografar as xícaras surgiu como uma brincadeira. Após o resultado apresentado pela IA, ele teria sido convidado a deixar a residência e posteriormente recebeu contato do advogado dela comunicando a intenção formal de divórcio.

Diante da situação, o marido se recusou a assinar os documentos de separação com divisão de bens e solicitou que o caso fosse encaminhado para mediação judicial. A defesa sustenta que uma interpretação produzida por inteligência artificial não possui validade jurídica para fundamentar a dissolução de um casamento. O argumento central é que decisões judiciais devem se basear em provas concretas e não em leituras simbólicas ou tecnológicas sem respaldo legal.

O episódio também trouxe à tona curiosidades sobre o café grego e sua tradição cultural. Diferente do café coado comum em diversos países, o preparo é feito com grãos finamente moídos, colocados diretamente em um recipiente chamado briki. A bebida não passa por filtragem, o que resulta em uma borra espessa no fundo da xícara, tradicionalmente utilizada para práticas de leitura simbólica após o consumo.

Especialistas em tasseografia explicam que o método tradicional envolve não apenas a observação da borra no fundo da xícara, mas também elementos como a espuma formada durante o preparo, o movimento circular realizado antes de virar a xícara sobre o pires e até os desenhos que surgem no prato. Para praticantes experientes, analisar apenas uma fotografia da borra não corresponde ao ritual completo. O caso, que mistura tradição, tecnologia e relações pessoais, segue gerando discussões sobre confiança, interpretação e os impactos cada vez mais presentes da inteligência artificial no cotidiano.

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