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Mulher perde mãe e filha de 2 anos em MG: ‘Tudo o que eu tinha nessa vida’

A força da chuva que caiu sobre Juiz de Fora nos últimos dias mudou completamente a rotina de milhares de moradores. Em meio a ruas cobertas de lama, sirenes e buscas incessantes, histórias pessoais começaram a emergir. Uma delas é a de Vitória Gomes, que perdeu duas das pessoas mais importantes de sua vida em questão de minutos.

Ela contou, em entrevista à GloboNews, que tudo aconteceu durante a madrugada. A filha, de apenas dois anos, dormia tranquilamente quando parte da casa desabou. Não houve tempo para reação. O imóvel onde viviam, localizado no bairro Parque Burnier, foi atingido de forma repentina. Ao mesmo tempo, a casa da mãe de Vitória, que ficava próxima dali, foi completamente destruída.

“Foi tudo muito rápido”, disse ela, ainda tentando entender o que aconteceu. A filha completaria três anos em outubro. Segundo Vitória, era uma criança alegre, que estava descobrindo o mundo aos poucos. A ausência agora é sentida em cada detalhe da casa, em cada objeto, em cada lembrança.

O impacto das chuvas não se limitou a uma única família. Os números confirmados pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e pelas prefeituras mostram a dimensão da tragédia. Mais de 50 pessoas perderam a vida nas cidades de Juiz de Fora e Ubá. Além disso, pelo menos 15 continuam desaparecidas, enquanto mais de 238 foram resgatadas com vida em operações que seguem sem parar.

Nos hospitais, o clima ainda é de atenção. De acordo com a prefeitura, 21 pacientes permanecem internados, e dezenas já receberam atendimento desde o início das chuvas. Equipes médicas trabalham em ritmo acelerado, enquanto voluntários ajudam como podem, seja com doações, seja oferecendo apoio emocional.

O desastre também deixou milhares sem casa. Segundo os dados mais recentes, mais de 2.500 pessoas estão desalojadas ou desabrigadas em Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa. Muitas dessas famílias agora dependem de abrigos improvisados, escolas e centros comunitários. É uma realidade difícil, marcada pela incerteza sobre o futuro.

Especialistas explicam que o volume de chuva foi muito acima do normal. Só em fevereiro, o acumulado chegou a 733 milímetros, quase quatro vezes o esperado para o mês. O solo encharcado perde sua capacidade de absorver água, o que aumenta o risco de deslizamentos e desabamentos.

O alerta continua. O Cemaden informou que ainda há risco de novas ocorrências, especialmente porque o sistema de drenagem urbana já está sobrecarregado. A Defesa Civil de Minas Gerais reforçou a importância de que moradores deixem áreas consideradas perigosas. Pequenos sinais, como rachaduras nas paredes ou portas que não fecham direito, podem indicar que algo não está bem.

Além disso, uma área de instabilidade próxima ao litoral deve provocar mais chuva em várias regiões do estado, incluindo a região metropolitana de Belo Horizonte. A previsão é de precipitações moderadas a fortes nos próximos dias, o que mantém as autoridades em alerta.

Enquanto isso, a cidade tenta se reerguer. Máquinas trabalham na limpeza das ruas, vizinhos ajudam uns aos outros, e histórias de solidariedade começam a surgir. Mesmo em meio à dor, há gestos de apoio que mostram a força da comunidade.

Para Vitória e tantas outras famílias, nada será como antes. Mas, aos poucos, entre lágrimas e lembranças, a esperança começa a encontrar espaço novamente. Em momentos assim, o que resta é seguir em frente, um dia de cada vez.

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