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Nikolas aciona MP e acusa Lula e escola de samba de improbidade administrativa

O clima político esquentou logo no início da semana em Brasília. Na segunda-feira (16), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) anunciou que protocolou uma representação no Ministério Público contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra a escola de samba Acadêmicos do Niterói. O motivo: o desfile realizado no domingo (15), no Rio de Janeiro, que teria, segundo ele, ultrapassado os limites culturais e entrado no campo da propaganda eleitoral.

A apresentação ocorreu na tradicional Marquês de Sapucaí, palco principal do carnaval carioca. Para Nikolas, o que foi exibido na avenida não se restringiu à celebração artística. Em suas redes sociais, o parlamentar afirmou que houve promoção explícita do presidente e de programas do governo federal, com recursos públicos envolvidos. Ele classificou o episódio como possível improbidade administrativa.

No centro da crítica está a interpretação do que é cultura e do que pode ser entendido como campanha antecipada. Nikolas mencionou o Tribunal Superior Eleitoral, alegando que a Corte teria sido “rigorosa” em outros momentos, mas, neste caso, teria tratado o desfile apenas como manifestação cultural. Na mesma declaração, ele comparou a situação com a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que houve pesos diferentes nas decisões.

A fala repercutiu rapidamente. O deputado disse ainda que, caso haja registro de candidatura de Lula no futuro, pretende ingressar com uma ação judicial por abuso de poder político e econômico. A declaração amplia o tom de enfrentamento e sinaliza que o embate deve se estender para além das redes sociais.

Outros nomes da oposição também se manifestaram. O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), indicaram que pretendem questionar judicialmente a homenagem feita ao presidente durante o desfile. Para eles, é preciso esclarecer se houve uso indevido de verba pública em benefício de uma autoridade com potencial candidatura futura.

Do outro lado, aliados do governo rejeitam qualquer irregularidade. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou que a oposição estaria “forçando a barra” ao transformar uma manifestação cultural em disputa jurídica. Segundo ele, o carnaval sempre foi espaço de crítica, exaltação, narrativa histórica e posicionamento político, independentemente do governo da vez.

É importante lembrar que o carnaval brasileiro, especialmente no Rio, há décadas mistura arte, crítica social e temas políticos. Já houve enredos sobre desigualdade, democracia, figuras históricas e até decisões judiciais marcantes. Em ano pré-eleitoral, no entanto, cada gesto ganha peso redobrado.

Nos bastidores de Brasília, o assunto dominou conversas nesta terça-feira. Parlamentares comentam que a discussão vai além do desfile específico. Trata-se de um debate mais amplo sobre os limites entre cultura financiada com recursos públicos e eventual promoção institucional de autoridades.

Enquanto o Ministério Público analisa a representação, o episódio reforça a polarização que marca o cenário político atual. De um lado, a cobrança por fiscalização rigorosa. De outro, a defesa da liberdade artística e cultural. No fim das contas, a decisão sobre eventual irregularidade caberá aos órgãos competentes.

Até lá, a avenida já ficou para trás, mas o debate segue firme — agora não mais sob as luzes da Sapucaí, e sim nos corredores da Justiça e nas tribunas do Congresso.

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