Nikolas afirma que futuro de Moraes é a cadeia

A Avenida Paulista voltou a ser palco de um ato político que misturou críticas ao Judiciário, discurso eleitoral e palavras de ordem direcionadas ao Palácio do Planalto. No último fim de semana, manifestantes alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniram em frente ao Masp e nas imediações do Parque Trianon com ataques diretos a ministros do Supremo Tribunal Federal.
O principal alvo foi o ministro Alexandre de Moraes. Do alto do trio elétrico, o deputado Nikolas Ferreira afirmou que o futuro do magistrado seria “a cadeia”, e não apenas um processo de impeachment. Em tom inflamado, chamou Moraes de “pateta” e “panaca”, mesmo dizendo que, por ser religioso, deveria evitar ofensas. Também puxou coro contra o ministro Dias Toffoli.
O pastor Silas Malafaia reforçou o discurso crítico. Em sua fala, acusou Moraes de agir de forma autoritária e levantou questionamentos sobre a relação da esposa do ministro com o Banco Master. As declarações ampliaram a temperatura do ato, que já vinha sendo convocado nas redes com o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”.
Entre bandeiras do Brasil e camisetas verde-amarelas, um boneco inflável de Bolsonaro apareceu com uma mordaça e a frase “falem por mim”. A referência é à situação jurídica do ex-presidente, que cumpre prisão na Papuda, em Brasília, após condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado. O símbolo chamou atenção de quem passava pela região, inclusive turistas que visitavam a Paulista naquele domingo ensolarado.
O clima, no entanto, não foi apenas de protesto. Houve também discurso de pré-campanha. O senador Flávio Bolsonaro falou sobre a necessidade de formar maioria no Senado para viabilizar eventual impeachment de ministros do STF. “Nosso alvo nunca foi o Supremo, que é fundamental para a democracia”, disse, ao mesmo tempo em que criticou decisões recentes da Corte. A fala foi interpretada como sinalização clara de articulação política para 2026.
Parte das críticas girou em torno do caso envolvendo o Banco Master. O empresário Daniel Vorcaro é investigado por suspeitas de fraudes no sistema financeiro. Toffoli deixou a relatoria da investigação após ser citado em relatório da Polícia Federal que menciona troca de mensagens com um cunhado sobre valores ligados à empresa Maridt, da qual é sócio. Já a esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, teria mantido contrato com a instituição financeira, segundo relatos apresentados por opositores.
Os números do ato ajudam a dimensionar o momento. De acordo com o Monitor do Debate Político da USP e a ONG More in Common, o pico reuniu cerca de 20,4 mil pessoas, com margem de erro de 12%. A estimativa coloca o público entre 18 mil e 22,9 mil manifestantes. É um contingente significativo, mas inferior ao registrado em setembro de 2025, quando um evento a favor da anistia reuniu mais de 42 mil pessoas na mesma avenida.
Quem circulava pela Paulista percebia um ambiente dividido. De um lado, apoiadores vibrando e repetindo palavras de ordem. De outro, curiosos observando à distância, alguns gravando vídeos para as redes sociais. Em ano pré-eleitoral, cada manifestação ganha peso simbólico.
No fim das contas, o ato reforça que a tensão entre parte do bolsonarismo e o STF segue viva. Ao mesmo tempo, evidencia que a disputa por 2026 já começou, mesmo que oficialmente ainda faltem meses para o calendário eleitoral esquentar de vez.





