Nikolas manda recado a Lula após rebaixamento de escola de samba

O Carnaval do Rio de Janeiro terminou, como sempre, em clima de emoção. Mas, desta vez, além das fantasias e do brilho na Marquês de Sapucaí, a política acabou entrando na conversa. A Acadêmicos de Niterói fechou a apuração do Grupo Especial na última colocação e foi rebaixada para a Série Ouro. O enredo escolhido para o desfile era uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o resultado abriu espaço para debates que ultrapassaram o universo do samba.
A escola apresentou o tema “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, destacando a trajetória do presidente e sua relação histórica com o Partido dos Trabalhadores. O samba trouxe referências diretas à militância petista, incluindo o tradicional coro “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, além de menções ao número de urna do partido. A primeira-dama Janja também apareceu na narrativa, assim como o filme Ainda Estou Aqui, produção brasileira que recentemente ganhou projeção internacional.
Apesar da proposta ousada e claramente posicionada, a agremiação não conseguiu convencer os jurados. Na soma final, obteve 264,6 pontos, a menor pontuação entre as escolas do Grupo Especial neste ano. O resultado determinou o rebaixamento para a segunda divisão do carnaval carioca, algo que sempre gera impacto dentro da comunidade que vive o dia a dia da escola.
A repercussão não demorou. O deputado federal Nikolas Ferreira comentou o caso e fez uma associação direta com o cenário eleitoral de 2026. Em declaração à imprensa, afirmou que o que ocorreu na avenida seria repetido nas urnas: segundo ele, “o Brasil irá rebaixá-lo”, referindo-se ao presidente.
A fala rapidamente circulou nas redes sociais, dividindo opiniões. Para alguns, trata-se apenas de retórica política, algo comum em um país que vive em permanente clima pré-eleitoral. Para outros, a declaração mostra como o Carnaval, tradicionalmente visto como espaço de cultura e celebração, tornou-se também palco de disputas simbólicas.
Não é de hoje que política e samba caminham lado a lado. Diversas escolas já levaram para a avenida enredos com críticas sociais, homenagens a figuras públicas e reflexões sobre o Brasil. O próprio Luiz Inácio Lula da Silva, ao longo de sua trajetória, já foi citado em diferentes manifestações culturais, seja como símbolo de ascensão social, seja como personagem central de debates nacionais.
O que chama atenção, neste caso, é o timing. O país ainda está na metade do mandato presidencial, mas o ambiente político já começa a se reorganizar para 2026. Declarações como a de Nikolas dialogam diretamente com esse cenário. Ao usar o termo “rebaixamento”, o deputado cria uma metáfora que conecta o resultado carnavalesco ao campo eleitoral.
Enquanto isso, na quadra da Acadêmicos de Niterói, o sentimento é outro. Para quem trabalha o ano inteiro preparando fantasias, ensaios e alegorias, o rebaixamento representa um desafio prático e emocional. É preciso reorganizar o planejamento, manter a comunidade unida e pensar em uma estratégia para voltar ao Grupo Especial.
O Carnaval, afinal, é cíclico. Escolas sobem, descem e retornam mais fortes. A política também segue esse ritmo de altos e baixos. No fim das contas, a avenida continua sendo espaço de expressão artística, mas também de narrativa. E, em tempos de redes sociais aceleradas e disputas constantes, qualquer resultado ganha significado além do que os números mostram no painel da apuração.





