Nova descoberta sobre crianças de Bacabal surge após 2 meses

As buscas pelas crianças desaparecidas em Bacabal, no interior do Bacabal, continuam mobilizando autoridades e moradores. O caso dos pequenos Ágatha Isabelly, de seis anos, e Anderson Kauã, de quatro, ganhou novos contornos após declarações do delegado Ederson Martins em audiência no Senado Federal, em Brasília.
Logo no início das investigações, a linha de raciocínio era outra. Segundo o delegado, a equipe chegou ao local imaginando que se tratava de um crime que seria esclarecido em pouco tempo. A expectativa mudou três dias depois, quando Anderson Kauã foi encontrado com vida. Ele havia desaparecido junto com os irmãos e foi o único localizado até agora.
De acordo com o relato apresentado às autoridades, o menino contou que eles teriam se perdido na mata. Disse que caminharam, deram voltas e acabaram sem conseguir retornar. O depoimento foi reforçado em conversas com psicóloga e psiquiatra, o que levou a polícia a reconsiderar a hipótese inicial. A partir daí, o foco passou a ser uma ocorrência de crianças desorientadas em uma área de vegetação densa, e não necessariamente um ato intencional de terceiros.
Um dos pontos que mais chamou atenção foi o chamado “casebre da mata”, conhecido como casa caída. Trata-se de uma construção simples, no meio da vegetação, apontada como o último local onde os irmãos teriam permanecido juntos. Houve quem questionasse se crianças tão pequenas conseguiriam chegar até ali por conta da distância.
O delegado rebateu essa dúvida com dados práticos: a equipe levou entre quatro horas e meia e cinco horas para percorrer o trajeto, acompanhada por moradores que conhecem bem a região. Segundo ele, se adultos conseguiram chegar, crianças também poderiam, ainda que demorando mais tempo por estarem perdidas.
Durante a reconstituição, Anderson Kauã surpreendeu os investigadores. O menino guiou os policiais até a casa caída e demonstrou familiaridade com a área. Conforme relatado, ele caminhava com rapidez e preferia trilhas mais fechadas, mesmo havendo caminhos mais abertos ao lado. Alguns agentes chegaram a ficar para trás. Para o delegado, isso reforça que o garoto conhece o ambiente e tem facilidade de locomoção na mata.
Outro ponto relevante foi o trabalho dos cães farejadores. Quatro K9 participaram das buscas com odores específicos das três crianças. Segundo a investigação, quando os cães eram guiados pelo odor de Ágatha e Allan, seguiam em direção ao rio. Já com o cheiro de Kauã, apontavam para a trilha. Para a polícia, esse padrão confirma que os animais chegaram ao local correto e que as três crianças estiveram na casa caída.
O delegado também comentou sobre especulações envolvendo uma possível quarta pessoa. Até o momento, essa hipótese foi praticamente descartada. Ele destacou que Kauã apresentava sinais de desidratação e perda significativa de peso, tendo sobrevivido com água de poças formadas pela chuva. Para a investigação, isso indica que não houve apoio externo durante o período em que esteve desaparecido.
Apesar das conclusões parciais, o inquérito segue aberto. A Polícia Civil afirma que continuará trabalhando até esclarecer todos os detalhes e oferecer respostas à sociedade. A esperança da família permanece viva, e a comunidade local ainda acompanha cada atualização com expectativa.
Em meio a tantas perguntas, uma certeza permanece: o caso exige cautela, sensibilidade e responsabilidade. E, enquanto as buscas continuam, o desejo coletivo é que a história tenha um desfecho que traga algum tipo de conforto para todos os envolvidos.





