Número que Vorcaro contatou em dia de prisão era de Moraes, segundo CPI

O noticiário político ganhou novos contornos nos últimos dias com um episódio que mistura tecnologia, investigação e bastidores de poder. No centro da história está o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que teria enviado mensagens por WhatsApp no dia de sua primeira prisão, em novembro de 2025. O detalhe que chamou atenção não foi apenas o conteúdo das conversas, mas o destino delas.
De acordo com apurações ligadas à CPMI do INSS, o número que recebeu as mensagens foi identificado, por meio do sistema Sittel, como pertencente ao Supremo Tribunal Federal. A partir daí, o caso ganhou outra dimensão. Nos bastidores, surgiram informações de que o celular teria sido utilizado durante anos pelo ministro Alexandre de Moraes — algo que ele nega de forma categórica.
A história não demorou a chegar ao Congresso. O senador Carlos Viana, presidente da comissão, formalizou um pedido ao STF solicitando a identificação dos usuários do número nos últimos cinco anos. O ofício foi encaminhado à diretoria-geral da Corte, aumentando ainda mais a tensão entre os poderes. Nos corredores de Brasília, o assunto virou pauta quase obrigatória.
Em entrevista ao tradicional programa Roda Viva, Viana chegou a afirmar que o aparelho seria ligado diretamente a Moraes. Depois, adotou um tom mais cauteloso, mencionando apenas que o número estava vinculado ao Supremo. Questionado sobre a origem exata das informações, preferiu não detalhar — o que abriu espaço para ainda mais especulações.
Enquanto isso, a jornalista Malu Gaspar trouxe novos elementos ao caso. Segundo sua reportagem, Vorcaro teria trocado mensagens ao longo do dia de sua prisão, perguntando ao interlocutor se havia alguma novidade e mencionando tentativas de “bloquear” algo. O contexto completo das conversas, no entanto, ainda não foi esclarecido.
Do outro lado, Moraes respondeu por meio da assessoria do Supremo, reafirmando que não recebeu qualquer mensagem do ex-banqueiro. A negativa foi direta, mas não encerrou o debate. Pelo contrário, acabou alimentando ainda mais a curiosidade em torno do caso.
Há também um pano de fundo importante. Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicariam uma relação de proximidade entre Vorcaro e o ministro, incluindo relatos de encontros e visitas. Nada disso, por si só, comprova irregularidades, mas contribui para o clima de desconfiança que cerca o episódio.
Nos bastidores do Judiciário, a avaliação é de que o Supremo dificilmente atenderá ao pedido da CPMI. A justificativa provável seria a proteção da privacidade dos magistrados e da própria instituição. Como a Corte é a instância máxima do país, não haveria a quem recorrer em caso de negativa.
Esse ponto, aliás, muda bastante o rumo da história. Sem acesso direto aos dados completos ou aos aparelhos envolvidos, qualquer conclusão fica limitada. Especialistas lembram que, tecnicamente, só uma perícia detalhada nos dois celulares poderia confirmar com precisão o envio e o recebimento das mensagens — algo considerado improvável neste momento.
Vorcaro, por sua vez, segue preso e negocia um acordo de delação premiada. Caso decida falar mais abertamente sobre o episódio, sua versão poderá ganhar peso. Ainda assim, seria, em grande parte, uma palavra contra outra, o que mantém o caso em terreno incerto.
Em meio a tudo isso, um gesto simbólico chamou atenção: o ministro Gilmar Mendes fez uma homenagem pública a Moraes, com palavras que demonstraram forte apoio institucional. Para muitos, foi um recado claro de unidade dentro da Corte.
No fim das contas, o episódio mostra como política, justiça e tecnologia estão cada vez mais entrelaçadas. E, como tantas outras histórias recentes em Brasília, essa ainda está longe de um desfecho definitivo.



