Onde Lula perdeu terreno para Flávio Bolsonaro, segundo pesquisa AtlasIntel

A mais recente pesquisa divulgada nesta quarta-feira (25) pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg trouxe um dado que já começou a movimentar os bastidores de Brasília. A distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro diminuiu de forma perceptível, indicando um cenário mais competitivo do que se via no início do ano.
No principal cenário de primeiro turno testado, Lula aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 37,9%. À primeira vista, o presidente ainda mantém vantagem, mas o dado ganha outro peso quando comparado ao levantamento anterior, feito em janeiro. Naquela ocasião, Lula tinha 48,8% e Flávio, 35%. Ou seja, o petista recuou, enquanto o senador avançou.
Essa mudança não aconteceu por acaso. Um dos pontos mais relevantes foi o comportamento do eleitorado masculino. Entre os homens, Lula perdeu quatro pontos percentuais em apenas um mês, caindo de 40,6% para 36,4%. Já Flávio teve um salto expressivo, saindo de 38% para 45,6%. Esse tipo de variação chama atenção porque o voto masculino costuma ter influência significativa no resultado geral.
Outro dado que surpreendeu analistas foi a mudança entre eleitores com menor escolaridade formal. Em janeiro, Lula tinha ampla vantagem entre pessoas que estudaram até o ensino fundamental, com 61,2% da preferência. Agora, esse número caiu para 37,3%. Flávio, por sua vez, cresceu de 28% para 41,2%. Trata-se de uma virada importante em um segmento que historicamente teve forte identificação com o presidente.
No Sudeste, região mais populosa do país e decisiva em qualquer eleição, a diferença praticamente desapareceu. Lula caiu de 49,3% para 43,6%, enquanto Flávio subiu de 36,1% para 41,9%. Em termos práticos, isso significa que a disputa está tecnicamente muito próxima nessa parte do Brasil, onde vivem milhões de eleitores e onde campanhas costumam concentrar grande esforço.
Nem mesmo o Nordeste, considerado um dos principais redutos eleitorais de Lula, ficou imune às mudanças. O presidente ainda lidera com folga, mas sua vantagem diminuiu. Ele passou de 58,2% em janeiro para 50,4% em fevereiro. Flávio cresceu de 28,7% para 31,8%. Embora Lula continue na frente, o avanço do adversário indica uma movimentação relevante.
Flávio Bolsonaro, vale lembrar, é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e tem mantido presença constante nas discussões políticas nacionais. Mesmo sem confirmar oficialmente uma candidatura, seu nome aparece com força nas simulações, refletindo o peso político que o sobrenome ainda carrega.
As pesquisas foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral e seguiram critérios técnicos rigorosos. O levantamento de janeiro ouviu 5.418 pessoas, enquanto o de fevereiro contou com 4.986 entrevistados. Em ambos os casos, a margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, considerando o total da amostra.
Ainda assim, especialistas alertam que pesquisas representam retratos do momento, não previsões definitivas. O humor do eleitor pode mudar rapidamente, influenciado por fatores como economia, decisões políticas e até acontecimentos inesperados.
O fato é que o novo levantamento já provocou reações. De um lado, aliados de Flávio veem o resultado como sinal de crescimento consistente. Do outro, o entorno de Lula observa com atenção, ciente de que manter a confiança do eleitor exige esforço contínuo.
Em um país onde a política é assunto cotidiano, números como esses ajudam a entender o clima atual. E, como sempre acontece, cada nova pesquisa acrescenta mais um capítulo a uma história que ainda está longe do fim.





