Ônibus capota na BR-153, e seis pessoas morrem no interior de São Paulo

A madrugada desta segunda-feira, 16 de fevereiro, começou silenciosa na região de Marília, no interior paulista. Mas por volta do km 260 da BR-153, a rotina da estrada foi interrompida por um grave acidente envolvendo um ônibus que transportava trabalhadores rurais. O veículo seguia viagem rumo ao Sul do país quando acabou capotando, deixando seis pessoas sem vida e dezenas de feridos.
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, 45 passageiros foram socorridos e encaminhados para seis unidades de saúde da região. O atendimento mobilizou equipes de resgate, ambulâncias e apoio da concessionária da rodovia. Hospitais de cidades vizinhas também receberam pacientes, num esforço conjunto que atravessou a madrugada.
O ônibus levava trabalhadores do Maranhão com destino a Santa Catarina. Eles iriam atuar na colheita de maçã, uma atividade comum nesta época do ano. Todos os anos, grupos de homens e mulheres deixam suas cidades de origem em busca de oportunidade nas safras do Sul. É um movimento antigo no Brasil, quase invisível para quem não vive essa realidade.
Segundo relatos preliminares, o motorista teria perdido o controle após o estouro de um dos pneus. Em rodovias movimentadas como a BR-153, qualquer falha mecânica pode se transformar rapidamente em uma situação difícil de contornar. Ainda não há conclusão oficial sobre as causas, mas a hipótese reforça um debate recorrente sobre manutenção preventiva e fiscalização de veículos de transporte interestadual.
Quem já percorreu longas distâncias de ônibus sabe como essas viagens costumam ser. Horas na estrada, conversas baixas, gente cochilando, outros olhando pela janela enquanto o dia amanhece. No caso desses trabalhadores, havia também expectativa. A safra representa renda, sustento para a família, esperança de dias melhores. Muitos deixam esposa, filhos e pais para trás, contando os dias para voltar com algum dinheiro guardado.
O impacto do acidente foi sentido não só pelas famílias das vítimas, mas também pelas comunidades de onde esses trabalhadores partiram. No Maranhão, cidades pequenas frequentemente dependem dessas saídas temporárias para complementar a renda local. Quando algo assim acontece, o sentimento de perda atravessa estados.
Nas redes sociais, mensagens de solidariedade começaram a circular ainda pela manhã. Em tempos em que as notícias correm rápido, o que se viu foi uma corrente de apoio e pedidos por mais segurança nas estradas. O Brasil, país de dimensões continentais, depende fortemente do transporte rodoviário. A BR-153, por exemplo, corta diferentes regiões e é fundamental para o escoamento de produção e deslocamento de pessoas.
Especialistas em segurança viária costumam reforçar que manutenção adequada, revisão periódica e fiscalização rigorosa são pilares para reduzir riscos. Empresas de transporte têm responsabilidade direta sobre as condições dos veículos e a jornada dos motoristas. Por outro lado, o poder público também precisa garantir boas condições de pavimentação e sinalização.
Enquanto as investigações seguem, fica o lamento pelas vidas interrompidas e a torcida pela recuperação dos feridos. Acidentes como esse lembram que, por trás de cada número divulgado em boletins oficiais, existem histórias, planos e famílias inteiras.
No fim das contas, a estrada que deveria levar esperança acabou marcando uma madrugada difícil. Que a dor sirva, ao menos, para reforçar a importância de cuidado, prevenção e respeito à vida em cada quilômetro percorrido.





