Os brasileiros estão curtindo o Carnaval sem imaginar que estão colocando a saúde em risco

O que era para ser apenas alegria, música e celebração pode acabar levando milhares de foliões aos consultórios e prontos-socorros durante o Carnaval. De acordo com o gastroenterologista Gustavo Patury, do Hospital Vila Nova Star, unidade da Rede D Or, o atendimento a casos de virose aumenta entre 30% e 40% nesse período, reflexo direto das condições enfrentadas nas festas de rua.
Segundo o especialista, os festejos expõem os foliões a diversas fontes de contaminação por vírus, bactérias e parasitas que provocam gastroenterites e gastroenterocolites, inflamações que atingem o estômago e diferentes partes do intestino. Apesar de os nomes variarem conforme a região afetada, a forma de tratamento costuma seguir a mesma linha, priorizando hidratação e acompanhamento dos sintomas.
A combinação de grandes aglomerações, uso frequente de banheiros químicos e alimentação improvisada cria um ambiente propício para a transmissão de microrganismos. A falta de higienização adequada das mãos, alimentos mal conservados, utensílios compartilhados e bebidas manipuladas sem os devidos cuidados ampliam o risco de infecção entre os participantes da folia.
O médico alerta que o álcool em gel não substitui a lavagem correta quando há sujeira visível. Para quem depende de banheiros químicos nos blocos, a recomendação é buscar um local onde seja possível lavar as mãos com água e sabão antes de consumir qualquer alimento ou bebida, reduzindo significativamente as chances de contaminação.
Outro ponto de atenção está nas latas e garrafas vendidas por ambulantes. Segundo Gustavo Patury, nem sempre é possível saber se houve higienização adequada ou qual a procedência do gelo utilizado. Caso a água esteja contaminada, ela pode comprometer todas as embalagens armazenadas no mesmo recipiente térmico. A orientação é lavar latas e garrafas com água mineral e sabão, quando possível, e evitar colocá-las diretamente na boca, optando por copos ou canudos.
Alguns hábitos comuns durante o Carnaval também favorecem o surgimento de quadros infecciosos. O consumo excessivo de álcool reduz a percepção de sede, aumentando o risco de desidratação. Além disso, dias seguidos de festa e noites mal dormidas comprometem a imunidade, deixando o organismo mais vulnerável a infecções virais e bacterianas. A recomendação é intercalar bebidas alcoólicas com água, manter ingestão frequente de líquidos e priorizar alimentação em locais com alta rotatividade de produtos, evitando preparações cruas ou que permaneçam muito tempo fora de refrigeração.
Os principais sintomas das gastroenterites incluem diarreia, náusea, vômito, dor abdominal, fraqueza, mal-estar e febre baixa. Nos casos virais, os quadros costumam ser autolimitados, durando de dois a cinco dias, sem necessidade de antibióticos. O maior risco é a desidratação, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Já as infecções bacterianas podem apresentar febre alta, dor abdominal intensa e episódios frequentes de diarreia, exigindo avaliação médica. Se os sintomas persistirem por mais de cinco dias, a orientação é procurar atendimento imediato para evitar complicações.





