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Pastor dopa irmão, o deixa com 42kg e afundado em dívidas e desaparece

O desaparecimento do pastor Carlos Mendes de Carvalho voltou a chamar atenção para um caso que já havia causado forte repercussão no Distrito Federal. Condenado pela Justiça após ser acusado de negligenciar os cuidados com o próprio irmão, um idoso com problemas de saúde, ele não foi mais localizado pelas autoridades.

A história começou a ganhar contornos preocupantes ainda em 2018, quando o pastor passou a ser o responsável direto pelos cuidados do irmão, que morava em Sobradinho II, região administrativa do DF. Na época, a família acreditava que o arranjo poderia ajudar o idoso, que enfrentava diversos problemas de saúde e precisava de acompanhamento constante.

Com o passar do tempo, porém, parentes começaram a perceber que algo não estava bem.

Segundo relatos reunidos no inquérito conduzido pela Polícia Civil do Distrito Federal, o idoso passou a apresentar uma perda de peso bastante acentuada. Além disso, surgiram feridas pelo corpo e mudanças no comportamento que chamaram a atenção da família.

O primeiro grande alerta veio quando ele começou a perder a capacidade de falar com clareza. Preocupados, alguns familiares tentaram visitá-lo para entender melhor a situação. De acordo com o que foi relatado posteriormente às autoridades, essas visitas teriam sido dificultadas pelo próprio pastor.

Diante da insistência dos parentes e da preocupação crescente, a família decidiu fazer uma visita inesperada ao idoso em 2021. O que encontraram naquele dia, segundo os relatos do processo, foi uma cena difícil de esquecer.

O homem estava deitado em uma cama, extremamente debilitado, pesando cerca de 42 quilos. Ele não conseguia caminhar, tinha dificuldades para se comunicar e apresentava diversos ferimentos pelo corpo. A situação levou os familiares a retomarem imediatamente a tutela do idoso e procurarem a polícia.

A partir daí, o caso passou a ser investigado formalmente. Durante a apuração, surgiram outros elementos que ampliaram a gravidade da situação. Parentes afirmaram que o idoso passava longos períodos sem os cuidados básicos de higiene e que fraldas utilizadas não eram trocadas com a frequência necessária.

Ainda segundo depoimentos reunidos pela investigação, o pastor teria administrado calmantes ao irmão de forma recorrente, o que teria contribuído para o estado de debilidade em que ele foi encontrado.

Outro detalhe que surpreendeu a família apareceu durante a análise da vida financeira do idoso. Foram identificados diversos empréstimos consignados feitos em nome dele em bancos e instituições financeiras. A dívida acumulada chegou a aproximadamente R$ 160 mil, com parcelas previstas até o ano de 2030.

O caso seguiu para a Justiça e resultou na condenação de Carlos Mendes em primeira instância. Inicialmente, ele recebeu pena de 3 anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto, além da obrigação de devolver parte dos valores obtidos.

A defesa recorreu da decisão, e o processo foi reavaliado pelo tribunal. Em março de 2024, a pena foi reduzida para 1 ano e 11 meses em regime aberto. A decisão também permitia a substituição da pena por medidas restritivas de direitos e pelo pagamento de aproximadamente R$ 90 mil à vítima.

Segundo informações do processo, esse pagamento não chegou a ser realizado.

Agora, com o desaparecimento do pastor, o caso volta a despertar atenção. A reportagem tentou localizar Carlos Mendes e também entrou em contato com a Defensoria Pública do Distrito Federal, responsável pela defesa dele. Até o momento, não houve manifestação oficial.

Enquanto isso, familiares do idoso seguem tentando reorganizar a vida da vítima, que ainda enfrenta as consequências físicas e financeiras do período em que esteve sob os cuidados do irmão. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos das partes envolvidas.

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