Pesquisa Futura mostra que Flávio Bolsonaro venceria Lula no 2º turno

Uma nova pesquisa eleitoral divulgada pela Futura em parceria com a Apex Partners trouxe números que reacenderam intensamente o debate sobre a sucessão presidencial de 2026. No principal cenário de primeiro turno testado pelo instituto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 37,2% das intenções de voto contra 35,9% do atual chefe do Executivo. A diferença de apenas 1,3 ponto percentual coloca os dois candidatos em situação de empate técnico, considerando a margem de erro anunciada de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
O levantamento, realizado com entrevistas presenciais em todo o território nacional, ouviu aproximadamente 2 mil eleitores e reflete um quadro de forte polarização já em estágio inicial da pré-campanha. Enquanto Flávio Bolsonaro concentra expressiva parcela do eleitorado alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula mantém sólida base de apoio entre eleitores de esquerda e de regiões historicamente favoráveis ao PT. Os demais nomes testados no mesmo cenário aparecem bastante distantes: o governador Ratinho Jr. (PSD-PR) registra 6,1%, Romeu Zema (Novo-MG) aparece com 4,9%, e nenhum outro pré-candidato alcança dois dígitos de intenção de voto.
Nos cenários de segundo turno, a vantagem numérica de Flávio Bolsonaro se amplia de forma mais clara. Em uma das simulações apresentadas pela pesquisa, o senador alcança 48,2% das preferências contra 42,4% de Lula, com brancos, nulos e indecisos somando o restante. Em outro confronto direto, a diferença permanece significativa, sugerindo que, no momento atual, o nome ligado ao bolsonarismo teria maior potencial de transferência de votos em um eventual segundo turno. Outros possíveis adversários da direita, como o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, também superam Lula em várias projeções de segundo turno realizadas pelo mesmo instituto.
A avaliação negativa do governo Lula surge como um dos principais fatores que ajudam a explicar o desempenho do petista no levantamento. Mais de 52% dos entrevistados afirmaram desaprovar a atual administração, enquanto 46% classificaram o governo como ruim ou péssimo. Esses índices de rejeição, somados à percepção de dificuldades na economia, na segurança pública e no controle da inflação, parecem estar alimentando o crescimento de alternativas oposicionistas, especialmente aquelas associadas ao legado do governo Bolsonaro entre 2019 e 2022.
Vale destacar, no entanto, que o quadro não é unânime entre os institutos de pesquisa. Levantamentos recentes divulgados por Real Time Big Data, Quaest, AtlasIntel e outros mostram Lula liderando em diversos cenários de primeiro turno, às vezes com margens um pouco mais confortáveis. Essa variação entre diferentes empresas de pesquisa é comum em momentos iniciais de ciclo eleitoral e reflete diferenças metodológicas, amostragens regionais e até mesmo o timing das entrevistas, o que reforça a necessidade de cautela na leitura de qualquer levantamento isolado.
Do ponto de vista político, os números fortalecem consideravelmente a posição de Flávio Bolsonaro dentro do Partido Liberal e no campo bolsonarista como um todo. O senador vem sendo apresentado como uma das principais opções para manter viva a chama do movimento que elegeu Jair Bolsonaro em 2018, especialmente diante da inelegibilidade do ex-presidente decretada pelo TSE. Ainda assim, a direita continua fragmentada, com vários governadores, senadores e deputados federais testando viabilidade, o que pode gerar uma disputa interna prolongada e desgastante.
À medida que o calendário eleitoral de 2026 se aproxima, com convenções partidárias previstas para meados do próximo ano, esses primeiros indicadores servem como um alerta para todas as forças políticas. A combinação de fatores econômicos, alianças regionais, desempenho dos partidos no Congresso, eventuais crises políticas e o impacto de operações judiciais ainda pode alterar radicalmente o atual cenário. Por enquanto, a pesquisa Futura/Apex aponta para uma das disputas presidenciais mais apertadas e imprevisíveis dos últimos 20 anos na história democrática brasileira.





