Pessoas do mundo inteiro ficaram chocadas com a notícia da mulher que prendia os filhos em gaiolas

Um caso que chocou a opinião pública nos Estados Unidos ganhou novos desdobramentos nesta semana e trouxe à tona detalhes perturbadores sobre a rotina de dois irmãos que viveram durante anos sob a tutela de uma mãe adotiva no estado do Texas. A revelação veio à público na quinta-feira, 12 de fevereiro, e rapidamente tomou as redes sociais e veículos de imprensa internacionais. O episódio levanta questionamentos sobre falhas no sistema de proteção à infância e reacende o debate sobre a fiscalização em lares adotivos.
A responsável pelo caso é Susan Rae Helton, de 53 anos, que adotou oito crianças ao longo dos anos. Entre elas estavam uma menina de 14 anos e um menino de 13, que passaram cinco anos vivendo sob regras severas e punições constantes dentro da residência da família. Segundo as investigações, os adolescentes eram acusados pela tutora de serem “ladrões de comida”, justificativa usada para impor restrições extremas.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal The Sun, já havia registros de denúncias desde 2018 feitas ao Serviço de Proteção à Criança dos Estados Unidos. Ainda assim, os relatos só ganharam maior repercussão agora, após a conclusão das investigações conduzidas em conjunto pelo departamento de polícia local e pelas autoridades responsáveis pela assistência social. O caso se transformou em símbolo de alerta sobre possíveis falhas na apuração de denúncias anteriores.
As investigações apontaram que os irmãos eram obrigados a viver e dormir em estruturas improvisadas com portões de segurança para bebês, montadas como se fossem gaiolas. A justificativa apresentada pela tutora era impedir que os adolescentes tivessem acesso à comida sem autorização. Durante o período em que permaneceram sob sua guarda, os dois apresentaram desenvolvimento físico muito abaixo do esperado para a idade, tendo ganho apenas três quilos e crescido sete centímetros em cinco anos.
Outras crianças que viviam na casa também foram ouvidas pelas autoridades. Segundo os depoimentos colhidos, os irmãos podiam permanecer confinados por até duas ou três semanas consecutivas como forma de castigo. As declarações foram consideradas consistentes e reforçaram os indícios encontrados no imóvel, onde os investigadores localizaram as estruturas utilizadas para manter os adolescentes isolados.
Durante o interrogatório, Susan Rae admitiu que submeteu os jovens ao confinamento e afirmou que a medida era uma tentativa de controlar o que classificava como “vício em açúcar”. Ela também confirmou que, em determinados períodos, o confinamento se estendeu por até 18 meses de maneira contínua. No tribunal, as vítimas, hoje jovens adultos, relataram lembranças recorrentes e dificuldades emocionais associadas ao período em que viveram na residência.
Após o julgamento, a Justiça condenou Susan Rae Helton por quatro acusações relacionadas a lesão contra menor com grave dano corporal. A sentença estabeleceu 40 anos de prisão, com a obrigatoriedade de cumprimento de pelo menos metade da pena antes da possibilidade de solicitar liberdade condicional. O caso segue repercutindo nos Estados Unidos e deve impulsionar discussões sobre a necessidade de mecanismos mais eficazes de acompanhamento e proteção de crianças e adolescentes em situação de adoção.





