Polícia prende mulher que atacou a mãe por supostos motivos religiosos

Caso em Itaperuna choca moradores e mobiliza Polícia Civil após denúncia envolvendo mãe e filha
A tranquilidade de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, foi abalada nesta terça-feira (24/2) após a prisão de uma moradora acusada de provocar ferimentos graves na própria mãe dentro da residência onde viviam. A detenção foi realizada por agentes da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), que passaram a investigar o caso depois que a própria suspeita procurou uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Guaritá em busca de atendimento para a vítima.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, a mulher compareceu à unidade de saúde alegando que a mãe precisava de socorro devido a lesões nos pés. A gravidade do quadro chamou a atenção dos profissionais, que acionaram as autoridades. A partir desse momento, teve início uma apuração detalhada para esclarecer o que de fato havia ocorrido dentro do imóvel onde as duas moravam sozinhas.
Em um primeiro relato feito a policiais militares no endereço da residência, a vítima teria informado que os ferimentos teriam sido consequência de uma queda. No entanto, essa versão inicial foi considerada incompatível com as condições constatadas pelos agentes e pela equipe técnica. A natureza das lesões levou os investigadores a aprofundar as diligências e ouvir novamente as envolvidas.
Durante o andamento da investigação, a suspeita apresentou uma nova versão, afirmando que uma conhecida, moradora de Macaé, no Norte Fluminense, teria sido responsável pelos ferimentos. A hipótese foi analisada, mas acabou descartada após a verificação de imagens de câmeras de monitoramento da região. Segundo a Polícia Civil, não houve registro da entrada ou saída de qualquer terceira pessoa pela única porta de acesso ao imóvel no período investigado.
A perícia realizada na casa apontou que não havia sinais de arrombamento ou indícios de invasão. Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de o chão da residência ter sido lavado, circunstância admitida pela própria acusada. Esses elementos reforçaram a linha investigativa de que não houve participação externa no ocorrido. A mulher citada como possível autora foi ouvida formalmente e negou qualquer envolvimento.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, vizinhos relataram que a suspeita apresentava comportamentos considerados incomuns nos últimos meses, incluindo declarações de que estaria sendo perseguida ou observando a presença frequente da conhecida mencionada. As autoridades também informaram que havia uma desavença entre as duas por motivos religiosos, o que foi levado em consideração durante os depoimentos colhidos.
A mulher foi autuada em flagrante pelo crime de lesão corporal de natureza gravíssima no contexto de violência doméstica. A identidade das envolvidas não foi divulgada oficialmente para preservar a integridade da vítima e garantir o andamento das investigações. O caso está sob responsabilidade da 143ª Delegacia de Polícia (Itaperuna), que segue reunindo provas e ouvindo testemunhas para esclarecer todos os detalhes.
O episódio gerou forte repercussão na cidade e reacendeu o debate sobre a importância de identificar sinais de conflitos familiares e possíveis transtornos emocionais antes que situações se agravem. Especialistas destacam que a rede de apoio social e os serviços de saúde mental são fundamentais para prevenir ocorrências semelhantes. Enquanto a investigação prossegue, a comunidade acompanha o desdobramento do caso, buscando compreender o que levou a um episódio tão delicado dentro de um ambiente que deveria representar proteção e cuidado.





