Por que os domingos não entram no jejum quaresmal

A Quaresma é reconhecida como um período especial no calendário litúrgico, marcado por reflexão, oração e penitência, que prepara os fiéis para a celebração da Páscoa. Com duração de quarenta dias, ela começa na Quarta-feira de Cinzas e vai até a Quinta-feira Santa, mas há um detalhe que muitas pessoas desconhecem: os domingos não estão inclusos na contagem desses quarenta dias. Esse detalhe é importante para compreender o verdadeiro espírito deste tempo sagrado.
A prática da Quaresma envolve disciplinas espirituais, como o jejum e a abstinência, que ajudam os fiéis a se aproximarem de Deus e a refletirem sobre sua vida. No entanto, os domingos são considerados dias de celebração da Ressurreição de Cristo, mesmo durante este período de preparação. Por isso, a tradição ensina que não se deve fazer jejum ou penitência aos domingos, permitindo que os cristãos vivam a alegria da fé em meio à reflexão quaresmal.
Mas, afinal, por que exatamente os domingos são tratados de forma diferente? Segundo o Pe. Simon Esshaki, da Diocese de San Diego, na Califórnia (EUA), existem três razões principais que explicam esta prática de forma simples e objetiva. A primeira delas é que os domingos são “pequenas Páscoas” dentro da Quaresma. Cada domingo representa a celebração da Ressurreição de Cristo, mesmo que o período geral seja de recolhimento e introspecção.
A segunda razão está ligada ao caráter comunitário do domingo. É o dia reservado para a missa e para o encontro com a comunidade, momentos em que a alegria e a esperança cristã são celebradas. Manter o jejum ou a penitência neste dia poderia ofuscar a dimensão festiva e comunitária da fé, que busca unir os fiéis na experiência de partilha e celebração do amor de Deus.
Por fim, a terceira razão mencionada pelo Pe. Esshaki é prática: os domingos servem como um ponto de pausa no período de disciplina pessoal. O jejum e a abstinência podem ser intensos durante a semana, mas a pausa aos domingos oferece um equilíbrio, ajudando os fiéis a manterem suas práticas espirituais de maneira sustentável e consciente. Assim, o respeito aos domingos reforça a ideia de que a fé é vivida em alegria e não apenas em sacrifício.
Essa distinção entre os dias da semana e os domingos na Quaresma ajuda a compreender melhor a espiritualidade católica. Ela mostra que a penitência não é um fim em si mesma, mas um caminho que conduz à celebração da vida, simbolizada na Páscoa. É uma oportunidade de refletir sobre a própria vida, cultivar hábitos de oração e solidariedade, e, ao mesmo tempo, celebrar a esperança que cada domingo representa.
Portanto, durante a Quaresma, é importante lembrar que os domingos não exigem jejum ou penitência. São dias de renovação e de alegria, momentos para agradecer e celebrar a presença de Deus em nossa vida. Seguindo essa tradição, os fiéis podem viver plenamente os quarenta dias quaresmais, equilibrando introspecção e celebração, e chegando à Páscoa com o coração preparado para a grande festa da Ressurreição.





