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Professor é demitido após comparar estudante negro a um chimpanzé em Maceió

Um episódio ocorrido dentro de uma sala de aula em Maceió, capital de Alagoas, acabou gerando repercussão e abriu uma investigação policial nesta semana. O caso envolve um professor de matemática, de 45 anos, que foi desligado de um colégio particular após uma denúncia de injúria racial envolvendo um estudante de 13 anos.

O fato teria ocorrido no dia 12 de fevereiro, durante uma aula em uma escola localizada no bairro Benedito Bentes, na parte alta da cidade. Apesar de ter acontecido no mês passado, a situação só se tornou pública agora, depois que a família do adolescente procurou as autoridades e registrou oficialmente a ocorrência.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil de Alagoas, o caso está sendo investigado pela Delegacia de Vulneráveis. A responsável pelo inquérito é a delegada Rebecca Cordeiro, que já iniciou a coleta de depoimentos e outras informações que possam esclarecer o que aconteceu dentro da sala de aula naquele dia.

De acordo com o relato apresentado pelo pai do estudante, o episódio começou quando um colega pegou um caderno que tinha a imagem de um macaco na capa. O aluno então teria perguntado com quem o desenho se parecia. Nesse momento, segundo a denúncia, o professor apontou para o adolescente e disse que a figura lembrava o estudante.

O comentário teria provocado risadas entre alguns colegas da turma. Ainda conforme o depoimento da família, o jovem ficou bastante constrangido com a situação. Ao chegar em casa, ele relatou o ocorrido e acabou chorando ao contar o que havia vivido durante a aula.

A ocorrência foi registrada oficialmente na quarta-feira, dia 4, quando o pai do estudante decidiu procurar a delegacia para relatar o episódio. Um detalhe importante mencionado no registro é que a situação teria sido captada por câmeras da própria escola, o que pode ajudar na apuração dos fatos.

A Polícia Civil informou que o inquérito foi aberto justamente para analisar todas as circunstâncias. Testemunhas devem ser ouvidas e as imagens, se confirmadas, também devem fazer parte da investigação. A partir disso, será possível entender com mais precisão o contexto do ocorrido.

Enquanto o caso passou a ser investigado, o colégio onde tudo aconteceu divulgou uma nota pública em suas redes sociais. No comunicado, a instituição afirmou que repudia qualquer tipo de racismo, discriminação ou preconceito dentro do ambiente escolar.

Ainda segundo a escola, assim que tomou conhecimento da denúncia, decidiu adotar medidas administrativas. O professor foi inicialmente afastado das atividades e, posteriormente, desligado da instituição, não fazendo mais parte do quadro de colaboradores.

O colégio também informou que está oferecendo apoio ao estudante e à família por meio das equipes pedagógica e psicossocial. A ideia, segundo a instituição, é dar o suporte necessário para que o aluno possa lidar com a situação e seguir sua rotina escolar com tranquilidade.

Outro ponto mencionado pela escola é que o Conselho Tutelar também acompanha o caso. A instituição afirmou ainda que permanece à disposição das autoridades para colaborar com tudo o que for necessário durante a investigação.

Casos como esse costumam gerar debates importantes sobre convivência, respeito e responsabilidade dentro do ambiente escolar. Especialistas na área de educação lembram que a escola, além de espaço de aprendizado acadêmico, também deve ser um lugar seguro para o desenvolvimento emocional e social dos estudantes.

Com o andamento das investigações, novas informações podem surgir nos próximos dias. Até lá, o trabalho das autoridades segue focado em esclarecer os fatos e garantir que todas as circunstâncias sejam analisadas com cuidado.
 

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