Quem era o piloto que morreu em queda de avião em Manaus

Manaus, 21 de março de 2026 — Um grave acidente aéreo abalou a comunidade aeronáutica da capital amazonense na manhã deste sábado, quando um avião monomotor Cessna 152 caiu durante um voo de instrução no Aeroclube do Amazonas, localizado na Zona Centro-Sul da cidade, próximo ao Aeródromo de Flores. O instrutor de voo Fernando Lúcio Moreira dos Santos, de 40 anos, pilotava a aeronave no momento da tragédia e não resistiu aos ferimentos graves sofridos no impacto, vindo a óbito ainda no local. O episódio ocorreu por volta das 9h30, mobilizando imediatamente equipes de resgate do Corpo de Bombeiros, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), da Polícia Militar e peritos, que chegaram rapidamente à cena para prestar socorro e iniciar os procedimentos iniciais.
A aeronave, de matrícula PR-TSM e pertencente ao próprio Aeroclube, realizava uma sessão rotineira de treinamento conhecida como “toque e arremetida”, um exercício padrão na formação de pilotos que envolve decolagem, toque breve na pista e nova ascensão. Testemunhas oculares e informações preliminares divulgadas pela instituição relatam que o monomotor decolou normalmente, mas, ao atingir cerca de 30 metros de altura, perdeu sustentação de forma repentina e despencou em uma área lateral da pista, atingindo um matagal próximo à cabeceira. O impacto foi devastador, destruindo grande parte da fuselagem e espalhando destroços pelo terreno, o que dificultou o acesso inicial das equipes de emergência.
Fernando Lúcio Moreira dos Santos foi encontrado sem vida pelos socorristas, que confirmaram o óbito no local devido à violência da colisão. O corpo foi posteriormente removido pelo Instituto Médico Legal para os devidos exames periciais. A bordo também estava o aluno Ulisses de Oliveira, um empresário em fase final de formação como piloto privado, que permaneceu preso às ferragens por alguns minutos. Ele sofreu traumatismo craniano e torácico graves, foi extraído com cuidado pelas equipes do Corpo de Bombeiros e encaminhado em estado crítico ao Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na Zona Leste, onde permanece internado recebendo cuidados intensivos. Até o momento, não há atualizações oficiais sobre sua evolução clínica.
Profissional altamente respeitado na aviação regional, Fernando atuava como instrutor de voo e diretor no Aeroclube do Amazonas havia seis anos, acumulando mais de 1,5 mil horas de voo, das quais mais de 400 horas especificamente na aeronave Cessna 152 envolvida no acidente. Colegas e amigos o descrevem como um piloto experiente, dedicado e apaixonado pela profissão, que desempenhava papel essencial na capacitação de novos aviadores no Amazonas. Muitos o consideravam um mentor paciente e um “paizão” no ambiente de trabalho, sempre disposto a auxiliar colegas e alunos em suas rotinas diárias, o que reforça o impacto emocional da perda na comunidade local.
A dor da tragédia se intensifica com detalhes da vida pessoal de Fernando. Há apenas cinco meses, ele havia se tornado pai pela primeira vez, celebrando com alegria a chegada do filho junto à esposa e familiares próximos. Amigos próximos, em depoimentos emocionados, destacam que ele vivia um período de grande felicidade familiar, contrastando tragicamente com o fim abrupto de sua trajetória. A notícia da morte se espalhou rapidamente pelas redes sociais e grupos de aviação, gerando uma onda de solidariedade e homenagens a um profissional que deixou marcas positivas em tantos aspirantes a pilotos.
O Aeroclube do Amazonas emitiu uma nota oficial expressando profundo pesar pelo ocorrido e confirmando que a aeronave era empregada exclusivamente para fins de treinamento na sua Escola de Aviação Civil. A instituição ressaltou a natureza rotineira e segura do procedimento executado, manifestou solidariedade irrestrita às famílias da vítima fatal e do aluno ferido, e colocou-se à disposição das autoridades para colaborar plenamente nas investigações. O modelo Cessna 152, amplamente reconhecido como um dos mais confiáveis e populares para instrução de voo em todo o mundo, com capacidade para duas pessoas e histórico consolidado de uso em escolas de aviação, torna o acidente ainda mais surpreendente para especialistas.
As causas exatas da perda de sustentação e da queda permanecem sob investigação pelas autoridades aeronáuticas competentes, incluindo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Enquanto as apurações técnicas prosseguem com análise de destroços, dados de manutenção da aeronave e depoimentos de testemunhas, a aviação amazonense vive um momento de luto coletivo. Pilotos, instrutores e alunos do Aeroclube e de outras entidades locais prestam homenagens emocionadas a Fernando Lúcio Moreira dos Santos, recordando-o como um exemplo de dedicação e paixão pelo voo que continuará inspirando futuras gerações mesmo após sua partida prematura.



