Geral

Religiosidade e calmaria: quem era a freira assassinada no Paraná

A pequena cidade de Ivaí, no interior do Paraná, vive dias de silêncio e reflexão após a morte da freira Nadia Gavanski, de 82 anos. Conhecida por sua rotina simples e pela dedicação à vida religiosa, ela era uma presença constante e respeitada no convento onde morava há décadas. O caso, ocorrido no último sábado (21), deixou moradores e integrantes da comunidade profundamente abalados.

Segundo informações da Polícia Civil do Paraná, um homem de 33 anos entrou no convento pertencente à Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada durante a tarde. O local, que costuma ser marcado pela tranquilidade e pela rotina de orações, foi surpreendido por uma situação inesperada.

De acordo com as investigações, Nadia percebeu a presença do homem e questionou o motivo de ele estar ali. A abordagem, algo comum para quem cuidava do espaço com atenção, teria desencadeado a reação do suspeito. Após o ocorrido, ele tentou se afastar do local, mas acabou sendo localizado e detido pelas autoridades pouco tempo depois.

O caso ganhou ainda mais repercussão quando testemunhas relataram o comportamento estranho do homem logo após o episódio. Uma fotógrafa que estava no convento para registrar um evento religioso contou que foi abordada por ele. Segundo o relato, o suspeito parecia nervoso, com sinais visíveis de tensão. A forma como ele se expressava levantou dúvidas, e a situação foi rapidamente comunicada às autoridades.

Quando os policiais chegaram, o homem foi abordado e, durante o interrogatório, acabou confessando sua participação. Conforme a polícia, ele já possuía antecedentes relacionados a crimes patrimoniais, o que passou a fazer parte da linha de investigação. O caso segue sob análise da Justiça, que deverá definir os próximos passos do processo.

Mas, para além dos detalhes investigativos, o que mais chama atenção é a história de vida de Nadia. Nascida em 1943, na zona rural de Prudentópolis, ela cresceu em um ambiente simples, cercado por valores familiares e religiosos. Ainda jovem, demonstrou interesse pela vida espiritual, decisão que mais tarde definiria seu caminho.

Ela ingressou oficialmente na vida religiosa na década de 1970 e permaneceu fiel à sua vocação desde então. Mesmo enfrentando desafios de saúde nos últimos anos, incluindo um AVC que afetou sua fala, continuava participando das atividades do convento dentro de suas limitações. As companheiras a descrevem como uma pessoa tranquila, de fala mansa e sempre pronta para ajudar.

Nas redes sociais, mensagens de despedida começaram a surgir logo após a confirmação da notícia. Ex-alunos, moradores e pessoas que conviveram com ela compartilharam lembranças e palavras de carinho. Muitos destacaram seu jeito discreto e a forma como transmitia paz por meio de pequenos gestos.

Em cidades menores, figuras como Nadia acabam se tornando parte da identidade local. Não apenas pelo papel religioso, mas pelo convívio diário, pelas conversas rápidas e pela presença constante em eventos comunitários. Sua ausência, portanto, deixa uma lacuna difícil de preencher.

O episódio também reacendeu debates sobre segurança em espaços religiosos, que tradicionalmente são vistos como locais abertos e acolhedores. Em tempos recentes, diversas instituições têm reforçado cuidados e protocolos, buscando preservar a integridade de quem vive e frequenta esses ambientes.

Para a comunidade de Ivaí, no entanto, o momento é de despedida e memória. Mais do que as circunstâncias do ocorrido, permanece viva a lembrança de uma mulher que dedicou a maior parte da vida ao serviço religioso e ao cuidado com o próximo.

Entre orações, homenagens e lembranças, a história de Nadia Gavanski segue presente no coração daqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la. Seu legado, construído em silêncio e simplicidade, continua ecoando na comunidade que ela ajudou a fortalecer ao longo de tantos anos.
 

CONTINUAR LENDO →
Mostrar mais