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Servidora acusada de acessar dados da mulher de Moraes nega ter feito consulta

O caso envolvendo a servidora pública Ruth Machado dos Santos ganhou novos desdobramentos nesta semana e reacendeu discussões sobre sigilo, responsabilidade funcional e o alcance das investigações conduzidas pelas autoridades. Apontada em apuração da Polícia Federal relacionada ao vazamento de dados de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, Ruth nega qualquer irregularidade e afirma que nunca acessou as informações citadas.

Segundo o advogado de defesa, Diego Scarpa, a acusação não corresponde aos fatos. Ele afirma que sua cliente não realizou consultas a dados cadastrais nem teve contato com qualquer informação da advogada. Em declaração recente, o defensor foi direto: Ruth nega ter acessado qualquer dado, seja CPF, nome da mãe ou informações fiscais. O próprio advogado destacou ainda que, até o momento, não teve acesso completo aos autos do processo, o que, segundo ele, limita uma análise mais detalhada da situação.

O episódio ocorre no contexto de investigações conduzidas no âmbito do Supremo Tribunal Federal, com apoio da Polícia Federal. O foco principal é apurar possíveis acessos indevidos a sistemas que contêm dados sensíveis de cidadãos. Nos últimos anos, esse tipo de investigação tem se tornado mais frequente, especialmente após a ampliação dos debates sobre privacidade digital e proteção de dados no Brasil.

Ruth Machado dos Santos é servidora da Receita Federal e atua na unidade de Guarujá, no litoral paulista. Com uma carreira que, conforme sua defesa, soma quase 32 anos de serviço público, ela agora enfrenta uma situação inesperada. Por decisão judicial, foi temporariamente impedida de entrar em sua unidade de trabalho e de acessar sistemas internos. Além disso, teve o telefone celular apreendido e passou a usar tornozeleira eletrônica enquanto as investigações seguem em andamento.

Essa medida, embora impactante, é considerada cautelar, ou seja, não representa uma conclusão definitiva sobre o caso. Na prática, serve para garantir que a apuração ocorra sem interferências. Pessoas próximas relatam que a servidora está em casa, colaborando com as autoridades e aguardando a oportunidade de apresentar sua versão completa dos fatos.

A defesa também fez questão de ressaltar o histórico profissional de Ruth. Em nota oficial, o advogado destacou que ela não possui envolvimento político nem histórico de militância. O texto enfatiza ainda que sua trajetória sempre foi marcada pelo respeito às normas e pela responsabilidade no exercício de suas funções. Para quem conhece a rotina do serviço público, especialmente em órgãos que lidam com dados fiscais, o sigilo é uma regra levada muito a sério.

O caso chama atenção justamente por envolver informações pessoais e sistemas protegidos. Nos últimos anos, o Brasil tem discutido cada vez mais a importância da segurança de dados, principalmente após a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados. Esse tipo de legislação trouxe novas responsabilidades para servidores e instituições, além de aumentar o rigor em casos suspeitos.

Ao mesmo tempo, é importante lembrar que investigações seguem um processo próprio e que o direito à defesa é parte fundamental desse caminho. A apuração ainda está em andamento, e novas informações podem surgir à medida que documentos sejam analisados e depoimentos coletados.

Enquanto isso, Ruth Machado dos Santos permanece afastada de suas atividades, aguardando o desenrolar do processo. Sua defesa afirma confiar que os fatos serão esclarecidos e que sua inocência será comprovada. O caso segue sob análise das autoridades e continua sendo acompanhado com atenção, especialmente por envolver temas sensíveis como privacidade, serviço público e responsabilidade institucional.

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