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Tarcísio diz que conversou com Moraes sobre prisão domiciliar para Bolsonaro

A quinta-feira (12) começou movimentada na política nacional. Em Guarulhos, durante uma coletiva de imprensa, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou algo que já circulava nos bastidores de Brasília: ele levou aos ministros do Supremo Tribunal Federal um pedido pela prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração veio sem rodeios.

Segundo Tarcísio, foram quatro encontros na quarta-feira (11), na capital federal, com os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Oficialmente, a pauta tratava do Propag, o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, tema que interessa diretamente ao governo paulista. Mas, como ele mesmo afirmou, quando surge a oportunidade, outros assuntos entram na conversa.

“Obviamente, quando a gente tem oportunidade, a gente leva também a questão humanitária”, disse o governador. Ele reforçou que sua posição não seria apenas política, mas também técnica. Na avaliação de Tarcísio, Bolsonaro não teria condições de saúde para cumprir pena em regime fechado e precisaria estar próximo da família para receber assistência adequada.

A fala foi além de um simples gesto de solidariedade. Tarcísio defendeu que o Brasil precisa amadurecer institucionalmente e tratar ex-presidentes com maior consideração, independentemente de divergências. É uma linha de argumentação que tenta deslocar o debate do campo ideológico para o institucional.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão e está no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no complexo da Papuda, conhecido como Papudinha. A unidade é destinada a policiais e pessoas politicamente expostas. A transferência para essa ala específica ocorreu após articulações que envolveram Michelle Bolsonaro e o próprio Tarcísio, com decisão do ministro Alexandre de Moraes.

O governador mencionou ainda que há precedentes jurídicos que poderiam sustentar a prisão domiciliar, citando o caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Segundo ele, existe um entendimento em construção de que essa alternativa é viável dentro da legislação.

Não é a primeira vez que Tarcísio se posiciona publicamente. Em 25 de novembro do ano passado, ele já havia classificado a possibilidade de prisão domiciliar como uma “questão humanitária”. Na ocasião, disse conhecer Bolsonaro de perto e acreditar em suas intenções. Agora, a defesa ganhou contornos mais claros e diretos.

Além da domiciliar, o governador também voltou a falar em anistia. Disse que pretende conversar com diferentes atores políticos e jurídicos para sustentar sua visão. Ele deixou claro que sua dedicação ao caso não é apenas institucional, mas também pessoal. A relação entre os dois é conhecida: Bolsonaro foi um dos principais apoiadores da eleição de Tarcísio ao governo paulista.

Nos bastidores, comenta-se que houve diálogos com ministros do STF e que outras lideranças participaram das articulações, como o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e a senadora Damares Alves. A corte, por sua vez, nega oficialmente qualquer negociação paralela.

O episódio revela um momento delicado da política brasileira. De um lado, decisões judiciais já consolidadas. De outro, movimentações políticas que buscam reinterpretar caminhos dentro da lei. Em meio a isso, Tarcísio tenta equilibrar seu papel de governador, interessado em pautas como o Propag, com sua ligação histórica ao ex-presidente.

Resta saber como o Supremo irá reagir a essa pressão institucional e política. Por enquanto, o que se vê é um cenário em que as conversas continuam — nos gabinetes, nas coletivas e, claro, nos bastidores de Brasília.

 

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