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Tarcísio se reúne com Moraes, Gilmar e Fachin em meio a ofensiva por domiciliar de Bolsonaro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem uma agenda movimentada nesta quinta-feira (19) nos gabinetes do Supremo Tribunal Federal (STF). Oficialmente, o objetivo é tratar de ações judiciais de interesse do estado, como a privatização da Sabesp e a revogação de isenções de ICMS, mas há expectativa de que a possibilidade de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro também seja discutida.

Entre 16h e 19h15, Tarcísio se encontra com ministros de destaque: Luiz Fux, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Edson Fachin, presidente da corte. Fontes próximas ao governador afirmam que ele pode servir como ponte entre setores da direita e o STF, aproveitando o contato para sensibilizar os magistrados sobre a situação de saúde do ex-presidente. Por parte dos ministros, também existe curiosidade sobre o tema.

Alexandre de Moraes, responsável pela execução penal de Bolsonaro, negou recentemente o pedido de prisão domiciliar. Na avaliação do ministro, a unidade da Papudinha, onde Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses por envolvimento na trama golpista, tem condições de atender eventuais intercorrências médicas. A internação hospitalar do ex-presidente, no entanto, reacendeu a defesa, que solicitou reconsideração da decisão. Segundo os advogados, o quadro clínico do político teria piorado, tornando a prisão em regime fechado “absolutamente incompatível com a preservação de sua saúde e integridade física”.

Apesar de todo o foco na questão Bolsonaro, o encontro do governador com o STF não se limita a isso. Um dos pontos centrais é a ação sobre a privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que será julgada pelo STF nesta sexta-feira (20) em plenário virtual. O tema envolve interesses econômicos significativos para o estado e já movimenta debates entre magistrados e representantes do governo paulista.

Além disso, Tarcísio deve tratar com Luiz Fux de outro julgamento em andamento: o decreto estadual que revogou a isenção de ICMS para áreas de livre comércio. Até agora, três ministros votaram contra o governo (Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin) e apenas um favorável (Kassio Nunes Marques). A decisão sobre esse ponto terá impacto direto no equilíbrio financeiro de municípios e empresas beneficiadas por essas isenções.

Nos bastidores, interlocutores destacam que o governador vem atuando com cautela, buscando alinhar pautas estratégicas do estado com discussões mais delicadas sobre política e segurança jurídica. A expectativa é que os encontros desta quinta-feira permitam reforçar a presença do governo paulista no Supremo, ao mesmo tempo em que abrem espaço para diálogo sobre temas sensíveis.

Para observadores, a reunião serve como termômetro do ambiente político e jurídico atual: enquanto pautas administrativas avançam, a discussão sobre a saúde e a situação prisional de Bolsonaro mantém a atenção da imprensa e do público. O encontro de Tarcísio no STF mostra que, mesmo em agendas técnicas, a política e o interesse público se misturam, exigindo habilidade para navegar entre decisões judiciais e repercussão social.

Em resumo, quinta-feira promete ser um dia de movimentações estratégicas em Brasília. Entre debates sobre privatizações, impostos e direitos de saúde, o governo paulista reforça sua atuação junto ao STF, enquanto a sociedade acompanha de perto cada passo de decisões que podem afetar o estado e o cenário político nacional.


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