Notícias

Tragédia em Minas Gerais soma 64 mortos e cinco desaparecidos

A cidade de Ubá, na Zona da Mata Mineira, viveu uma das semanas mais difíceis de sua história recente. As chuvas fortes e persistentes mudaram o cenário urbano em poucas horas, deixando marcas visíveis em ruas, pontes e na vida de milhares de moradores. Mesmo com o tempo mais firme nos últimos dias, os efeitos da enxurrada ainda estão longe de serem superados. 

Durante o pico da tempestade, a força da água foi suficiente para comprometer pontes importantes e tornar várias vias intransitáveis. Em alguns bairros, a lama se acumulou de tal forma que carros ficaram presos e o acesso a serviços básicos precisou ser interrompido. Moradores relatam que, em muitos trechos, a água desceu com velocidade incomum, arrastando tudo o que encontrava pela frente e dificultando qualquer tentativa de deslocamento. 

O rio Paraibuna chegou a transbordar durante a cheia, ampliando os transtornos em áreas próximas às margens. O nível do rio já voltou ao normal, mas o impacto permanece. Casas próximas sofreram infiltrações, pequenos comércios perderam mercadorias e espaços públicos precisaram ser interditados para avaliação da Defesa Civil. Para quem vive do comércio local, o prejuízo não se resume ao que foi perdido, mas também aos dias sem poder abrir as portas. 

Além dos danos materiais, a crise trouxe um desafio social de grandes proporções. Estima-se que mais de cinco mil pessoas tenham ficado desalojadas ou desabrigadas em Ubá e em cidades vizinhas. Muitas famílias precisaram deixar suas casas às pressas e buscar abrigo em escolas, ginásios e igrejas, improvisando uma nova rotina em espaços coletivos. Em meio à incerteza, o apoio de voluntários e do poder público tem sido essencial para garantir alimentação, roupas e atendimento básico. 

O cenário vivido em Ubá reflete um problema que vem se repetindo em diferentes regiões do país. Especialistas apontam que o volume elevado de chuva em curto período de tempo, aliado à urbanização acelerada e à infraestrutura limitada, cria um ambiente propício para esse tipo de ocorrência. Nos últimos verões, situações semelhantes foram registradas em cidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, sempre com consequências severas para a população. 

Enquanto as equipes trabalham na limpeza das ruas e na recuperação das áreas afetadas, moradores tentam reorganizar a vida passo a passo. Há quem conte que perdeu o estoque inteiro da loja, outros falam do medo de novas chuvas e da insegurança ao retornar para casa. Ainda assim, o clima também é de solidariedade. Vizinhos se ajudam, doações chegam de diferentes lugares e iniciativas comunitárias surgem para apoiar quem mais precisa. 

Ubá agora enfrenta um período decisivo. A reconstrução não depende apenas de reparos imediatos, mas de planejamento para reduzir riscos futuros. O episódio deixa um alerta claro sobre a importância de investimentos em drenagem urbana, manutenção de pontes e políticas preventivas. Para a população, fica a esperança de que, depois da água baixar, venham ações concretas que ajudem a cidade a seguir em frente com mais segurança e preparo.

CONTINUAR LENDO →
Mostrar mais