Tragédia na Zona da Mata: aumenta o número de mortes em Ubá e Juiz de Fora

As ruas ainda estão cobertas de lama em vários bairros de Juiz de Fora e Ubá, cidades importantes da Zona da Mata, onde a chuva chegou com força entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça. O que começou como mais uma tempestade típica do verão rapidamente se transformou em um cenário de dor, perdas e muita apreensão. Segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, subiu para 38 o número de pessoas que não resistiram às consequências das enchentes e deslizamentos.
Em Juiz de Fora, o impacto foi especialmente pesado. São 32 vítimas confirmadas e ainda há 33 pessoas que continuam desaparecidas. Em Ubá, seis mortes foram registradas e duas pessoas seguem sendo procuradas. A Polícia Civil de Minas Gerais informou que 27 vítimas já foram identificadas, o que ajuda as famílias a terem ao menos uma resposta em meio à incerteza que domina os últimos dias.
O silêncio em muitos bairros chama atenção. Casas destruídas, móveis perdidos e ruas irreconhecíveis formam um retrato difícil de aceitar. Ao menos 3 mil pessoas ficaram sem lar e tiveram que buscar abrigo em escolas públicas e centros comunitários, que foram rapidamente adaptados para receber os moradores. Colchões no chão, doações de roupas e refeições preparadas por voluntários se tornaram parte da nova rotina.
O trabalho de resgate segue sem pausa. Equipes do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais utilizam cães farejadores e equipamentos que detectam calor corporal para tentar localizar sobreviventes. Cada sinal é tratado com esperança, mas o terreno encharcado dificulta muito o acesso. Há também o risco constante de novos deslizamentos, o que exige cautela redobrada.
Diante da gravidade da situação, o Governo de Minas Gerais decretou luto oficial de três dias. A medida é simbólica, mas representa o reconhecimento de um dos períodos mais difíceis enfrentados pelo estado nos últimos anos. Desde o início da temporada de chuvas, já são 50 vidas perdidas em todo o território de Minas Gerais, o maior número em seis anos.
Moradores relatam que tudo aconteceu muito rápido. Alguns tiveram apenas minutos para sair de casa. Outros perderam praticamente tudo o que construíram ao longo de uma vida inteira. Ainda assim, em meio ao cenário difícil, surgem histórias de solidariedade. Vizinhos ajudando vizinhos, pessoas oferecendo abrigo e voluntários distribuindo alimentos mostram que a união ainda é uma das maiores forças em momentos assim.
Especialistas alertam que eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes em várias regiões do Brasil. O verão de 2026, marcado por calor intenso e tempestades repentinas, reforça a importância de sistemas de alerta e de planejamento urbano mais seguro, principalmente em áreas de encosta.
Agora, o foco está no apoio às famílias e na reconstrução. A prioridade é garantir abrigo, assistência e segurança para quem foi afetado. Ao mesmo tempo, permanece a esperança de encontrar as pessoas que ainda estão desaparecidas.
Enquanto a cidade tenta retomar o ritmo, fica também uma reflexão coletiva. A chuva passou, mas as marcas permanecem — não só nas ruas, mas na memória de todos que viveram esses dias difíceis.





