Famosos

Tratando câncer aos 24, neta de Carlos Alberto relata efeito colateral

Quando a gente pensa em quimioterapia, é comum imaginar uma pessoa extremamente frágil, abatida e distante da rotina. Essa imagem, repetida tantas vezes em novelas, filmes e até reportagens, acaba virando uma espécie de padrão. Mas a realidade nem sempre é assim. E foi justamente isso que Bruna Furlan decidiu mostrar com sinceridade nas redes sociais nos últimos dias.

Neta do humorista Carlos Alberto de Nóbrega, conhecido por décadas de trabalho à frente de A Praça é Nossa, Bruna tem usado seu perfil no Instagram como um espaço de conversa aberta. Sem maquiagem elaborada ou filtros exagerados, ela apareceu como realmente estava: cansada, mas firme. Sensível, mas também grata.

Diagnosticada com carcinoma mamário invasivo com metástase óssea, a jovem de apenas 24 anos passou recentemente pela terceira sessão de quimioterapia. E, diferente do que muitos imaginam, ela contou que os efeitos colaterais têm sido intensos, mas não exatamente como as pessoas costumam pensar.

“Não estou maravilhosa, 100%, mas também não estou super debilitada”, disse ela, em tom tranquilo. Segundo Bruna, o enjoo, que costuma ser um dos sintomas mais temidos, apareceu apenas uma vez. O apetite segue praticamente normal, algo que ela mesma disse agradecer.

Ainda assim, o tratamento tem cobrado seu preço. O cansaço aumentou depois da última sessão, e dores no corpo passaram a fazer parte dos seus dias. Pequenos detalhes, como um gosto estranho na boca, também surgiram. Pode parecer algo simples, mas são esses incômodos que lembram constantemente que o corpo está passando por um processo intenso.

O que mais tem mexido com ela, no entanto, não é o enjoo nem a dor física. É a menopausa precoce, induzida pelo tratamento. Ondas de calor, irritação repentina e uma sensibilidade emocional maior fazem parte da nova realidade. “Minha saúde mental está instável”, admitiu, com uma honestidade que chama atenção justamente por fugir de qualquer tentativa de parecer forte o tempo todo.

E talvez seja esse o ponto mais marcante dessa história: a coragem de mostrar vulnerabilidade.

Nos últimos anos, tem sido cada vez mais comum ver pessoas jovens compartilhando jornadas de saúde nas redes sociais. Isso cria uma rede de apoio real, com mensagens, relatos e trocas que vão além da tela. Bruna percebeu isso rapidamente. Após falar sobre a quimioterapia, recebeu uma avalanche de perguntas. Dúvidas sobre o tratamento, sobre cuidados com o cabelo, com a pele, e até sobre como lidar emocionalmente com tudo isso.

Em resposta, decidiu abrir um espaço organizado para conversar sobre cada etapa. Criou caixinhas de perguntas e destacou que quer transformar sua experiência em algo útil para outras pessoas. Não como alguém que tem todas as respostas, mas como alguém que está vivendo o processo, dia após dia.

Existe também um detalhe importante no que ela disse: a gratidão. Mesmo sem estar totalmente bem, Bruna reconhece que poderia estar pior. E esse tipo de perspectiva, longe de ser clichê, mostra maturidade. É a consciência de que a recuperação é feita em etapas, com dias bons e outros nem tanto.

No fim das contas, o que Bruna está fazendo vai além de compartilhar atualizações pessoais. Ela está ajudando a desmontar estereótipos. Está mostrando que a quimioterapia não define uma pessoa por completo. Que ainda existe vida, humor, esperança e até planos.

E talvez, no meio de tudo isso, a maior mensagem seja simples: ainda há muitos motivos para seguir em frente. Um dia de cada vez.

CONTINUAR LENDO →
Mostrar mais