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Um legado de fé, Irmão Lázaro morreu há 5 anos

Cinco anos após a partida de Irmão Lázaro, o Brasil evangélico e a cena cultural baiana marcam nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, a data que completa meio decênio desde a morte do cantor, compositor e político. Antônio Lázaro Silva, conhecido nacionalmente como Irmão Lázaro, faleceu aos 54 anos vítima de complicações da Covid-19, mas sua voz potente e seu testemunho de fé continuam ecoando em igrejas, redes sociais e memórias de milhares de admiradores. O que era saudade transformou-se em celebração silenciosa da trajetória de um homem que uniu música, política e espiritualidade de forma singular.

Nascido em 4 de novembro de 1966 no bairro da Federação, em Salvador, Lázaro iniciou a carreira artística nos anos 1990 como integrante do Olodum, onde era chamado de Lázaro Negrume. A experiência no axé lhe deu visibilidade, porém uma profunda conversão religiosa redirecionou sua vida. Abandonando o ritmo profano, ele se entregou à música gospel, adotando o título de “Irmão” como marca de sua nova identidade cristã e dedicando-se a louvores que falavam diretamente ao coração dos fiéis.

Sucessos como “Eu Te Amo Tanto” e “Eu Sou de Jesus” consolidaram sua presença no segmento gospel brasileiro. Gravados em álbuns marcantes, os hinos ultrapassaram fronteiras denominacionais e se tornaram trilha sonora de cultos, cultivares e momentos de oração em todo o país. Sua capacidade de transmitir emoção e autenticidade fez dele um dos nomes mais requisitados em eventos evangélicos, onde pregava com a mesma intensidade com que cantava.

A música abriu portas para a política. Filiado inicialmente ao Partido Social Cristão e depois ao Partido Liberal, Lázaro foi eleito deputado federal pela Bahia em 2014, integrando a bancada evangélica na Câmara dos Deputados entre 2015 e 2018. Atuou também como secretário de Relações Institucionais na prefeitura de Salvador em 2016. Em 2020, conquistou uma vaga na Câmara Municipal de Salvador com 4.273 votos, assumindo o mandato em 1º de janeiro de 2021 e demonstrando o desejo de levar sua fé para o debate público.

A doença chegou de forma súbita. Internado desde fevereiro de 2021 em estado grave na UTI de um hospital em Feira de Santana, Lázaro lutou até o fim, inclusive registrando momentos de louvor dentro do hospital. Sua morte, confirmada na noite de 19 de março daquele ano, gerou comoção nacional. Parlamentares, pastores e fãs prestaram homenagens que destacavam não apenas o artista, mas o homem de superação que transformou uma vida de contrastes em exemplo de redenção.

Cinco anos depois, o legado permanece vivo. Perfis oficiais administrados pela família, especialmente pela viúva Vânia Silva, publicam diariamente trechos de suas pregações e canções. Nas redes sociais, lives, reels e stories reproduzem seus louvores, enquanto igrejas de diversas regiões realizam cultos especiais de lembrança. Jovens artistas gospel citam seu nome como referência de integridade e ousadia ministerial.

Em um país marcado por polarizações, a história de Irmão Lázaro recorda que fé, arte e serviço público podem caminhar juntos. Seu exemplo de transformação continua inspirando conversões, encorajando vocações e reforçando a crença de que uma vida bem vivida transcende o tempo físico. Hoje, mais do que nunca, sua ausência física apenas amplifica a presença de seu testemunho no coração daqueles que ainda cantam e oram ao som de sua voz eterna.


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