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Um motorista entrou no rio com seu carro após seguir as orientações do GPS

Um simples erro de rota transformou uma entrega comum em um episódio que chamou a atenção no Reino Unido no último domingo, 15 de fevereiro. Um motorista da Amazon precisou abandonar sua van após seguir instruções de GPS que o levaram diretamente para uma área tomada pela maré alta, em uma região costeira conhecida por seus riscos naturais e por sua importância histórica.

O caso aconteceu em Great Wakering, no condado de Essex, quando o entregador tentava chegar à Ilha Foulness. A ilha pertence ao Ministério da Defesa do Reino Unido e é utilizada para testes militares, tendo acesso controlado e regras específicas para circulação.

O motorista acabou entrando na rota conhecida como The Broomway, um caminho com cerca de 600 anos que cruza bancos de lama e só pode ser percorrido com segurança em condições muito específicas de maré baixa. O trajeto não é uma estrada convencional e tampouco foi projetado para veículos motorizados, sendo tradicionalmente utilizado apenas por pedestres experientes que conhecem a região.

Com o avanço da maré, a água começou a cercar o veículo, tornando impossível continuar a travessia. Diante da situação, o motorista decidiu sair da van e caminhar até um ponto seguro em terra firme, evitando que o episódio tivesse consequências mais graves. Horas depois, com a maré recuando, o veículo foi içado com apoio local e retirado da área.

A Guarda Costeira britânica reforçou que a Broomway não deve ser utilizada por veículos e que a travessia a pé só é recomendada com guia especializado, devido à presença de bancos de lama instáveis e mudanças rápidas no nível da água. Autoridades lembraram ainda que o acesso à região depende das atividades do campo de testes militares e que a circulação só é permitida quando as áreas de tiro não estão ativas e as barreiras estão abertas.

Historicamente, a rota carrega um passado delicado. De acordo com registros citados pela BBC News, o último caso fatal documentado na Broomway ocorreu em 1919, embora ao longo dos séculos o caminho tenha sido associado a diversos acidentes devido às condições imprevisíveis do estuário. A combinação de marés rápidas, ausência de pontos de referência visíveis e terreno instável torna o local particularmente desafiador para quem não conhece bem a área.

Em nota ao jornal The Telegraph, um porta-voz da Amazon informou que o caso está sendo investigado internamente. A empresa avalia as circunstâncias que levaram o motorista a seguir a rota indicada pelo GPS, levantando discussões mais amplas sobre a dependência de sistemas automatizados de navegação em áreas remotas ou com características geográficas incomuns.

O episódio reacende o debate sobre os limites da tecnologia de navegação digital. Embora aplicativos de GPS sejam amplamente utilizados por empresas de logística e motoristas profissionais, situações como essa mostram que mapas digitais nem sempre refletem restrições específicas de determinados caminhos históricos ou áreas sujeitas a variações naturais intensas. A combinação entre tecnologia e conhecimento humano continua sendo apontada por especialistas como essencial para evitar ocorrências semelhantes no futuro.

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